segunda-feira, 30 de julho de 2007

O Mundo Pós-guerra

O MUNDO PÓS-GUERRA


PorAnanda Basílio SilvaElenise de Oliveira MagalhãesFernanda Pastor de MoraesFernando de Castro Gomes Leal
Introdução
Em 1945, a Europa exibia as marcas da destruição. Os aliados haviam derrotado as ditaduras, mas o mundo se encontrava mais dividido do que nunca: os grandes vencedores do conflito, Estados Unidos e União Soviética, emergiram como superpotências. Os norte-americanos libertaram os países da Europa Ocidental do domínio nazista e derrotaram o Japão na Ásia. Saíram da guerra com um poder militar superior a qualquer outro país – eram os únicos possuidores de armas nucleares e apresentavam a economia mais forte do planeta.Por outro lado, a União Soviética libertou a Europa Oriental do domínio nazista, sendo a principal responsável pela derrota do exército alemão. Apesar de grande parte do país estar devastado, suas forças armadas eram poderosas e, logo após, em 1949, o país passava a dominar a tecnologia bélica nuclear, contrapondo-se aos Estados Unidos.Como esses dois países possuíam sistemas socioeconômicos antagônicos – capitalismo (EUA) e socialismo (URSS) –, as disputas entre eles só cresciam. Esse prolongado período de confronto entre as duas superpotências, a partir do final da II Guerra Mundial, é chamado de Guerra Fria. Confronto, aliás, que nunca resultou num conflito armado total e direto entre Estados Unidos e União Soviética.

Tratados iniciais da Guerra Fria

A Conferência de Yalta (cidade da Criméia, no sul da União Soviética) foi realizada quase três meses antes da rendição alemã e reuniu os representantes das grandes potências aliadas: Franklin Roosevelt, presidente dos Estados Unidos, Joseph Stálin, primeiro-secretário da União Soviética, e Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido.Embora a guerra não tivesse terminado, já que os alemães só se renderiam em 2 de maio de 1945 e os japoneses, em 19 de agosto, grande parte dos estrategistas militares consideravam que ela seria ganha pelos aliados. Assim, nesse encontro foi discutido, principalmente, o destino que se daria à Europa quando a guerra terminasse. As principais decisões foram:

  • Eliminar os resíduos do nazi-facismo, proibindo seus partidos e aprisionando os líderes remanescentes;
  • Formar governos provisórios nos países da parte oriental do continente, com representantes de todas as forças políticas, com a incumbência de fortalecer as instituições democráticas e preparar eleições livres;
  • Redesenhar as linhas de fronteiras da região oriental da Europa, devolvendo à União Soviética as terras perdidas na Primeira Guerra e recriando, assim, uma faixa de segurança russa na região.

Além das decisões dadas à público, Stálin obteve, num acordo secreto, o reconhecimento de sua influência sobre a Mongólia Exterior (norte da China), a posse da parte sul da ilha Sacalina e o arquipélago das Kurilas (disputados com o Japão), o arrendamento da base naval da Manchúria (na China) e a participação na ferrovia de Dairen (cidade chinesa que seria internacionalizada).A imprensa mundial se apressou em informar à opinião pública que havia um clima de harmonia ente os líderes dos Aliados, que ficou conhecido como “espírito de Yalta”. Em função disso, muitos acreditavam que uma nova era de paz se iniciava no mundo.Dois meses depois, outro encontro internacional de grande envergadura foi realizado nos Estados Unidos e parecia reforçar o sonho de paz mundial. Entre abril e junho de 1945, foi realizada a Conferência de San Francisco, com representantes de 50 nações. Nesse encontro foi preparada a Carta da ONU, que pretendia defender a paz mundial, os direitos de todos os povos e a melhoria do nível de vida dos países pobres.Foram criados o FMI (Fundo Monetário Internacional), o GATT (Acordo Geral de Tarifas) e a Corte Internacional de Haia (na Holanda), composta por juízes eleitos na ONU, que passaria a se constituir num fórum para solução de conflitos de direito internacional.
Terminada a guerra, os líderes aliados se encontraram na cidade de Potsdam (localizada na periferia de Berlim), entre 17 de julho e 2 de agosto de 1945. Na Conferência de Potsdam reuniram-se Harry Truman, novo presidente dos Estados Unidos, Joseph Stálin, e Winston Churchill. O principal item da pauta de discussões era o destino da Alemanha vencida, que estava ocupada na sua parte ocidental pelas tropas aliadas capitalistas (norte-americanas e inglesas) e na oriental, pelas tropas aliadas socialistas (soviéticas).O encontro foi muito diferente dos precedentes. Os conflitos ideológicos, os diferentes interesses em jogo e os conseqüentes debates carregados de hostilidade dificultaram as negociações e jogaram por terra o sonho de paz mundial. A aliança entre o mundo capitalista e socialista para combater os nazi-fascistas havia se fragmentado. Ao fim da conferência, concordou-se em dividir o território da Alemanha em três zonas de ocupação, que correspondiam às áreas ocupadas pelas tropas norte-americanas, inglesas e russas, no momento da rendição alemã.A conferência ainda decidiu que a cidade de Berlim, em meio ao território ocupado pela União Soviética, seria dividida em três partes. A reunificação da Alemanha e a retirada das tropas de ocupação foram proclamadas como meta futura pelos conferencistas.A parte ocidental da cidade de Berlim, por ordem de Stálin, foi desocupada pelos soldados soviéticos, para que nela pudessem se alojar as tropas e os administradores ingleses e norte-americanos. Algumas semanas depois, a Inglaterra argumentou que a França deveria participar dessas forças de ocupação, o que foi aceito pela união Soviética.
Por pressão de Stálin, ficou também dividida a Coréia, mas os norte-americanos não cederam o norte do Japão, como a União Soviética pretendia. A Áustria e sua capital (Viena) passaram por um processo semelhante ao da Alemanha, só que a divisão não ganhou força e foi desarticulada em 1955, após um tratado de paz, quando as tropas de ocupação das quatro potências se retiraram do país.

Criação da ONU

A sociedade das Nações não impediu a II Guerra Mundial, mas continuou viva a esperança de um organismo internacional, com força militar, que passasse a evitar conflitos no mundo. Numa reunião em Washington, em 1942, compareceram representantes de 26 nações unidas, daí o nome de Organização das Nações Unidas, a ONU.
Diplomatas americanos, ingleses, soviéticos e chineses elaboraram o primeiro projeto da entidade, incentivados por Roosevelt, presidente norte-americano. Representantes de 50 Estados discutiram amplamente o projeto em 1945 em San Francisco, nos Estados Unidos.A primeira sessão da ONU, realizada em Londres em janeiro e Fevereiro de 1946, criou as principais divisões dessa organização e elegeu o primeiro secretário-geral, Trygve Lie, ministro das Relações Exteriores da Noruega. A sede oficial passou a ser Nova York.
A ONU compreende seis órgãos principais:

  1. Assembléia Geral – Cada um tem direito a um voto. Discute assuntos relacionados coma segurança e o bem estar da humanidade, o presidente é eleito anualmente. Atualmente, a Assembléia Geral é composta pelos 192 Estados-Membros da Organização
    Conselho de Segurança – Composto por cinco membros permanentes com direito a veto (China, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido e França) e dez indicado pela Assembléia Gera para um período de dois anos. Em 2007, os 10 membros não-permanentes do Conselho são: Bélgica, Congo, Gana, Indonésia, Itália, Panamá, Peru, Catar, República da Eslováquia e África do Sul. É o órgão mais importante, pois lhe cabe o principal objetivo: a paz. O Conselho pode propor acordos ou decidir-se pela intervenção armada.
    Conselho de Tutela – Protege povos sem governo próprio. Composto por membros dos territórios administrados pela ONU, do Conselho de Segurança e outros, eleitos pela Assembléia Geral.
    Secretariado – Tem caráter administrativo fundamental. Seu chefe é o secretário-geral, eleito pelo Conselho de Segurança a aprovado pela Assembléia Geral, para um prazo de cinco anos com direto a reeleição.
    Tribunal Internacional de Justiça – Composto por quinze juízes eleitos pelo Conselho de Segurança e pela Assembléia Geral e que cumprem mandatos de nove anos. Estabelece princípios de direto universais e resolve conflitos legais. Sua atual composição é a seguinte: Ronny Abraham (França); Awn Shawkat Al-Khasawneh (Jordânia); Mohamed Bennouna (Marrocos); Thomas Buergenthal (Estados Unidos da América) (2015); Rosalyn Higgins (Reino Unido); Shi Jiuyong (China); Kenneth Keith (Nova Zelândia); Abdul G. Koroma (Serra Leoa); Hisashi Owada (Japão); Gonzalo Parra-Aranguren (Venezuela); Raymond Ranjeva (Madagascar); Bernardo Sepulveda Amor (México); Bruno Simma (Alemanha); Leonid Skotnikov (Rússia); e Peter Tomka (República da Eslováquia).
    Conselho Econômico e Social – Departamento executivo para assuntos não-políticos. A principal finalidade é promover o bem estar econômico e social das populações. A Assembléia Geral elege seus 54 membros por um período de três anos. Atua através de comitês: Comissão dos Direitos Humanos, que redigeiu em 1948 a Declaração Universal dos Direitos Humanos; Comissão dos Estatutos da Mulher, que busca a igualdade de direitos entre os sexos; Comissão para o Desenvolvimento Social, que previne crimes, assiste menores e reeduca marginais; Comissão de Entorpecentes, que controla o comércio de drogas perigosas; Comissão Populacional, que avalia o crescimento da população mundial;Comissão de Estatística, que reúne dados para o estudo da situação mundial. Em 2007, o Conselho é composto pelos seguintes Estados: África do Sul, Albânia, Alemanha, Argélia, Angola, Arábia Saudita , Áustria, Barbados, Benin, Belarus, Bolívia, Brasil, Cabo Verde, Canadá, Cazaquistão, Chade, China, Costa Rica, Cuba, Dinamarca, El Salvador, Estados Unidos, Federação Russa, Filipinas, França, Grécia, Guiné, Guiana, Guiné-Bissau, Haiti, Índia, Indonésia, Iraque, Islândia, Japão, Lituânia, Luxemburgo, Madagáscar, Malauí, Mauritânia, México, Nova Zelândia, Países Baixos, Paquistão, Paraguai, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, República Democrática do Congo, Romênia, Somália, Sri Lanka, Sudão e Tailândia.

Importantes agências especializadas também integram a ONU, como: Unesco, para a Educação, Ciência e Cultura; FAO, para Alimentação e Agricultura; OMS, para a Saúde; OIT, para o Trabalho; IAEA, para Energia Atômica; AID, para o Desenvolvimento; BIRD, Banco Internacional para Reconstrução de Desenvolvimento; IFC, Corporação Financeira Internacional; e FMI, Fundo Monetário Internacional.

Primeiros passos da Guerra Fria

Em março de 1946, o ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill, em visita aos Estados Unidos, fez um discurso profundamente anti-soviético em Fulton (Missouri), tendo ao lado o presidente norte-americano. Foi nesse discurso que ele usou, pela primeira vez, a expressão “cortina de ferro”, para referir-se à satelitização dos países da Europa Oriental pela URSS. Alertou sobre o expansionismo soviético, conclamou as autoridades norte-americanas a assumir a liderança ocidental contra os comunistas e pediu ajuda financeira para manter a Grécia e a Turquia sob influência capitalista.Um ano mais tarde, o presidente Harry Truman, justificando a necessidade de os norte-americanos ajudarem o Reino Unido na manutenção dos governos grego e turco, pediu 400 milhões de dólares ao Congresso e afirmou em sua exposição de motivos que “a política dos Estados Unidos deve ser apoiar os povos livres que estão resistindo a tentativas de subjugação por minorias armadas ou por pressão externa”.Ficou assim explicitada a Doutrina Truman, que foi baseada na ideologia da contenção, desenvolvida por George Frost Kennan, experiente assessor da embaixada norte-americana em Moscou. Segundo ele, o socialismo soviético apresentava uma tendência expansionista e um antagonismo profundo com relação ao capitalismo. Esse expansionismo só poderia ser evitado mediante a aplicação de uma força de contenção em diversos pontos geográficos estratégicos.Dessa forma, quando os Estados Unidos decidiram ajudar financeira e militarmente a Grécia e a Turquia, estrategicamente localizados na área mediterrânea, ponto de saída da frota naval soviética localizada no mar Negro (único ponto de seu extenso litoral que não congela no inverno), estavam concretizando a ideologia da contenção.Ainda em 1947, o presidente Truman centralizou o controle do Exército, da Marinha e da Força Aérea sob chefia do Secretário de Defesa, criou a Agência Central de Informações (CIA) e o Conselho de Segurança Nacional, alegando que essas medidas eram necessárias para assegurar a coordenação das políticas militar e externa dos Estados Unidos. Evidentemente, essas medidas ampliaram a influência militar sobre as diretrizes da política externa do país e contribuiram para desencadear uma intensa corrida armamentista no mundo.Outro passo da Guerra Fria teve início em junho de 1947, quando George Marshall (secretário de Estado norte-americano) divulgou as linhas gerais do Programa de Recuperação Européia, mais tarde, conhecido com Plano Marshall. Segundo ele, só com a concessão de suprimentos e créditos a juros baixíssimos, a Europa poderia se recuperar dos efeitos da guerra.A Europa estava arrasada. A indústria e a agricultura passavam por profunda recessão e não retomavam seu crescimento. Havia crises de abastecimento e fome por toda parte. A falta de energia, linhas de transporte e matérias-primas inviabilizava a indústria. O desemprego atingia níveis recordes e as tensões políticas e sociais se multiplicavam, abrindo espaço para os movimentos de esquerda, geralmente acompanhados de greves e distúrbios.Mais uma vez, por meio da ajuda econômica e apoiados na Doutrina Truman, os Estados Unidos puseram em andamento a ideologia da contenção.No primeiro encontro internacional para organização do programa, a União Soviética percebeu o jogo de interesses norte-americano que estava oculto nessa ajuda econômica e retirou-se das negociações, arrastando consigo quase todos os países da Europa Oriental (exceto Iugoslávia). Dessa forma, passou a denunciar o Plano Marshall como uma institucionalização da política de dominação.Em abril de 1948, foram assinados os acordos que destinaram a 16 países e à cidade de Trieste (na época separada da Itália) fundos de 13 bilhões de dólares.
Nos primeiro meses do plano, a ajuda deu ênfase a financiamentos agrícolas e, no período seguinte, à produção industrial. Quase 70% das compras feitas com o dinheiro recebido através do programa eram de produtos norte-americanos, ou seja, os empréstimos e a ajuda aos europeus serviam para realimentar a economia dos Estados Unidos, mantendo seu ritmo de crescimento próximo dos níveis que tinham alcançado durante a guerra. Portanto, o Plano Marshall deve ser analisado sob duas perspectivas:

  • Econômica – O programa atendia aos interesses dos Estados Unidos, pois os europeus passaram a gastar as verbas recebidas com a compra de máquinas, equipamentos, matérias-primas, etc. principalmente de fornecedores norte-americanos, mantendo o país a pleno emprego. Com sua política, os Estados Unidos visavam garantir a exportação de seus excedentes e concretizar a hegemonia econômica sobre a Europa.
  • Geopolítica – O programa visava o fortalecimento da Europa Ocidental, para evitar uma possível expansão do socialismo pelo continente; por isso, pode-se afirmar que ele punha em prática a ideologia da contenção.

No fim de dois anos, o Plano Marshall havia ajudado a consolidar o dólar como moeda de referência cambial. Além disso, as crescentes trocas comerciais e a entrada de capital norte-americano abriram a Europa para os investimentos diretos dos Estados Unidos, que passaram a comprar inúmeras empresas industriais, comerciais e financeiras no continente. Era o início da segunda fase de expansão das modernas empresas transnacionais, surgidas no século XIX, durante o período da Revolução Industrial.A colocação da Europa Ocidental sob área de influência econômica norte-americana criou um pólo capitalista na parte ocidental do continente, rapidamente contrabalançado pela subordinação econômica e política quase completa da Europa Oriental à União Soviética.Como resposta ao Plano Marshall e à superioridade bélica norte-americana, os soviéticos reorganizariam o Exército Vermelho, que elevou seu contingente para mais de 5 milhões de soldados. Os Estados Unidos, utilizando a doutrina Truman, passaram a fazer o papel de protetores da parte capitalista do continente.


Expansão do socialismo

Durante a II Guerra Mundial, a luta pela expulsão dos nazistas alemães, nos países da Europa Oriental, foi liderada principalmente por organizações guerrilheiras nas quais a participação dos comunistas era muito grande. A resistência desses grupos aos alemães foi reforçada pelo avanço das tropas do Exército soviético.Quando a Guerra acabou, os governos dos países do Leste Europeu – Polônia, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Albânia e Bulgária – foram formados com todos os grupos políticos que haviam lutado contra os nazistas: liberais, social-democratas, democratas e comunistas. Mas como o Exército soviético teve uma participação fundamental na libertação desses países, esses governos passaram a ter um controle muito grande dos comunistas.Depois da vitória final, e mesmo depois de as tropas soviéticas terem se retirado desses países, foi impossível resistir à influência soviética e logo alguns países passaram a se socializar: em 1946, Bulgária e Romênia; em 1947, Polônia e Hungria; e em 1948, a Tchecoslováquia. A Albânia e a Iugoslávia já haviam se socializado antes do final da guerra. Com o acirramento da Guerra Fria, a União Soviética passou a orientar os partidos comunistas locais e favorecer golpes de estado nesses países, colocando no governo pessoas que estivessem de acordo com a política soviética. Assim, pouco a pouco foi se constituindo um grupo de países fiéis à orientação de Moscou, dando origem ao bloco soviético.Stálin logo percebeu que o Plano Marshall ameaçava a hegemonia da URSS na Europa Oriental. Como resposta, ele criou um órgão internacional, o Kominform (Comitê de Informação dos Partidos Comunistas e Operários), constituído pelos partidos de orientação comunista.No primeiro encontro realizado em setembro de 1947 (depois que os soviéticos abandonaram a primeira reunião do Plano Marshall em Paris), ficou estabelecida a doutrina soviética dos Campos Opostos, que afirmava existir “de um lado a política da União Soviética, direcionada a anular o imperialismo, e de outro a política dos Estados Unidos e da Inglaterra, direcionada ao fortalecimento do imperialismo”.Com a aceitação dessa tese e o fortalecimento do Kominform, os países da Europa Oriental passaram definitivamente para a esfera de influência soviética.Desde então foram feitos inúmeros acordos econômicos e criadas empresas binacionais em diversos setores, ligando a União Soviética a cada país da região. A reação soviética ao Plano Marshall se completaria em janeiro de 1949 com a assinatura dos acordos do Comeco (Conselhos Econômico de Assistência e Ajuda Mútua), organização que passou a realizar uma espécie de divisão internacional do trabalho socialista. Essa organização intermediava o comércio entre os países-membros e direcionava os investimentos soviéticos na região.

Alianças militares

Em março de 1948, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, França e Reino Unido assinaram o Tratado de Bruxelas, criando um organismo de defesa mútua. No ano seguinte, em abril de 1949, os países-membros do Tratado de Bruxelas abriram sua organização para Canadá, Dinamarca, Islândia, Noruega, Portugal, Itália e Estados Unidos, criando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Mais tarde iriam se juntar a Grécia, a Turquia e a Alemanha Ocidental. O acordo, que transferia a ênfase da segurança econômica para a militar, se resumia na seguinte idéia: “Um ataque a qualquer um dos membros seria considerado um ataque à organização, que se defenderia com a intervenção de todos os participantes”.Outras organizações similares foram sendo criadas na década de 50, aliando vários Estados da Ásia e até da Oceania contra o que chamavam de Ameaça comunista. A Anzus, que congregava Austrália, nova Zelândia e Estados Unidos, a Otase, que unia Nova Zelândia, Austrália, Filipinas e Tailândia, e o Cento, englobando Turquia, Iraque, Irã e Paquistão, foram algumas delas.O Pacto de Varsóvia nasceu, em maio de 1955, como uma espécie de reação tardia da União Soviética ao fortalecimento da Otan. Serviu ainda, e principalmente, para a consolidação da hegemonia soviética na Europa Oriental. Suas tropas nunca entraram em choque com as forças da Otan, mas acabara sendo usadas para massacrar tentativas de levante dentro dos seus países associados, como ocorreu com as invasões da Hungria e da Tchecoslováquia.

Organizações econômicas

Durante a Guerra Fria, surgiram várias organizações de caráter econômico relacionadas, em diferentes graus, aos acontecimentos desse período. A primeira foi o Benelux (Bélgica, Países Baixos – Netherlands – e Luxemburgo), com sede em Bruxelas, na Bélgica. Essa organização começou a ser instituída em 1944, mesmo antes da rendição final da Alemanha. Sua pretensão era ampliar as relações comerciais entre os países-membros por meio de reduções das tarifas alfandegárias.Em 1948, foi criada a Organização Européia de Cooperação Econômica (OECE) para administrar o Plano Marshall. Dois anos depois, em 1950, surgiu a União Européia de Pagamentos, para facilitar o comércio entre os membros da OECE. Em 1951, nasce a Comunidade Européia do Carvão e do Aço (CECA), formada pelo interesse da França e da Alemanha em explorar racionalmente seus recursos. O sucesso desses organismos estimulou a criação da Euraton, Comunidade Atômica Européia; e do mais importante dos organismos, a CEE, Comunidade Econômica Européia, ou Mercado Comum Europeu (MCE). O MCE foi instituído em 1957 e abrangia Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo. Em 1973 entraram Dinamarca, Inglaterra e Irlanda; em 1981, Grécia; e em 1986, Portugal e Espanha. Seu principal objetivo era eliminar as alfândegas entre os países-membros.Do lado Oriental, os países socialistas fundaram, em 1949, o Conselho para Assistência Econômica Mútua (Caem ou Comecom). Seus membros eram União Soviética, República Democrática Alemã, Bulgária, Hungria, Polônia e Tchecoslováquia. A principal função desse conselho era organizar o comércio entre os países socialistas e direcionar os investimentos soviéticos.

Bloqueio de Berlim

Segundo o que se havia convencionado na Conferência de Potsdam, a Alemanha dividida seria brevemente reunificada. Porém, os crescentes atritos entre os Aliados tornavam essa reunificação cada vez mais distante.Em poucos meses após o final da guerra, a Alemanha Ocidental já havia recebido milhares de repatriados e imigrantes, provenientes das regiões vizinhas que se socializavam, e com a ajuda do Plano Marshall tinha iniciado sua reconstrução econômica, baseada numa enxurrada de dólares para a região e a criação de uma nova moeda (Deutsche Mark). Enquanto isso, o lado socialista mantinha sérias dificuldades econômicas, que – somadas aos sucessos do Ocidente – ameaçavam o poder soviético, que não tinha a mesma capacidade de reconstrução. Em resposta à criação de uma nova moeda na porção ocidental, os soviéticos iniciaram uma operação de dificultava a entrada de trens e caminhões em Berlim, agravando o abastecimento da cidade.Em julho de 1948, Stálin ordenou o bloqueio do setor ocidental de Berlim, impedindo totalmente o acesso terrestre a essa cidade. Berlim ocidental já era na época uma das maiores cidades da Europa, com quase 2 milhões de pessoas, e seu abastecimento era difícil, pois ela ficava a mais de 150 quilômetros da Fronteira, dentro do território socialista da Alemanha Oriental.Com o bloqueio, a única forma de chegar à cidade era por via aérea: os Estados Unidos e o Reino Unido passaram então a abastecer Berlim por avião. Esta foi considerada a maior operação aérea não-militar da História.
Durante o bloqueio os Estados Unidos ameaçaram a União Soviética com um ataque nuclear, deslocando para a Inglaterra seus grandes aviões de bombardeio atômico. Quando em maio de 1949 o bloqueio de Berlim foi levantado, a Doutrina Truman já estava definitivamente firmada, e o caminho para os Estados Unidos participarem de todas as operações e acontecimentos mais importantes da Europa estava aberto. A propaganda ocidental passou então a analisar a complexa situação de Berlim Ocidental como um símbolo da resistência e da capacidade de cooperação do capitalismo, frente ao autoritarismo socialista.

Criação das Alemanhas

Em maio de 1949, com o apoio ocidental foi criada a República Federal da Alemanha, com capital em Bonn. A União soviética respondeu com a criação da República Democrática Alemã, em outubro do mesmo ano. Dessa forma, rasgou-se definitivamente o acordo de Potsdam que previa a reunificação da Alemanha.Em 1972, foi assinado um tratado reconhecendo a divisão em dois Estados diferentes e, em 1973, os dois países foram aceitos como membros da ONU, o que dificultou ainda mais a reunificação. Apesar disso, as relações entre as duas Alemanhas intensificaram-se a partir da década de 1970, principalmente pelo aumento do comércio.

Muro de Berlim

Em 1961, muitas pessoas, através de Berlim, começaram a fugir da Alemanha Oriental para a Alemanha Ocidental. Para evitar as fugas, principalmente as de mão-de-obra especializada, o líder soviético Nikita Kruschev ordenou, em 13 de agosto de 1961, a construção de um muro fortificado dividindo completamente a cidade de Berlim. Nasceu dessa forma o maior símbolo da Guerra Fria, um muro que não apenas separava uma cidade, mas sim o mundo: um marco concreto indicando a oposição entre o mundo capitalista e o mundo socialista.

Macarthismo

Com a Guerra Fria, ganhou força nos Estados Unidos uma onda de histeria política, que disseminou a idéia de que qualquer oposição ao governo seria um sinal de apoio aos comunistas, um gesto de antiamericanismo, de traição nacional. Isso levou a processos e delações, muitas vezes forjados, instalando o pânico na sociedade norte-americana em relação ao comunismo; era a caça às bruxas, sob liderança do senador Joseph MacCarthy. Esse quadro de prisões, perseguições e acusações de sabotagem ficou conhecido como macarthismo. Perto de 6 milhões de pessoas foram atingidas, inclusive Charles Chaplin, destacado nome do cinema.

A corrida armamentista e aeroespacial

A União Soviética, envolvida no processo de reconstrução nacional, tentava acompanhar o ritmo acelerado de militarização imposto por sua oposição aos Estados Unidos. A explosão de sua primeira bomba atômica em 1949 colocou o país numa relativa igualdade bélica-nuclear com os Estados Unidos. Paralelamente, verificou-se um acentuado avanço territorial do socialismo, com sua propagação para diversas outras nações, com destaque para o Leste Europeu (1945-1948), a China (1949), Cuba (1959) e alguns Estados afro-asiáticos (Coréia do Norte, Vietnã do Norte, Angola, Moçambique, entre outros).
Acabada a II Guerra Mundial, muitos sonhavam com a desmobilização dos exércitos e um período de paz. O militarismo, no entanto, retomou o fôlego e se fortaleceu. Em verdade, a formação do Estado capitalista moderno esteve assentada num intenso processo de militarização, cujo ápice foi atingido durante a Guerra Fria, quando se desencadeou a corrida armamentista e aeroespacial entre as duas superpotências. Dessa forma, o militarismo estava a serviço dos interesses do capital, primeiro, porque era um grande cliente, que incentivava o crescimento industrial comprando armas e equipamentos, e, segundo, porque foi com base nele que os capitalistas conquistaram e mantiveram o domínio dos territórios.A corrida armamentista permitiu a incessante multiplicação dos meios de destruição de massa, iniciada com a bomba atômica em 1945, seguida pela bomba de hidrogênio no início dos anos de 1950 e pela crescente sofisticação dos mísseis balísticos dos anos de 1960 em diante. Logo após a II Guerra Mundial, os gastos das duas superpotências com armamentos chegou a superar 60% do total mundial, caindo para cerca de 50% nos anos de 1980.A expansão da Guerra Fria para todo o planeta, com a formação de dois grandes blocos sob hegemonia das superpotências, levou a corrida armamentista para os países pobres. Essa corrida determinou um crescimento constante da indústria e do comércio de armas convencionais, que se expandiram em mais de 6% ao ano desde 1960, fazendo prósperas muitas empresas, especialmente aquelas com base nos Estados unidos.A corrida armamentista foi acompanhada por uma corrida aeroespacial. Em outubro de 1957, os soviéticos lançaram um foguete que colocou em órbita o primeiro satélite artificial do mundo, o Sputnik 1. como resposta, os Estados Unidos criaram, em julho de 1948, a Nasa (National Aeronauties and Space Administration) com o papel de comandar o desenvolvimento da indústria aeroespacial no país. Em abril de 1961, a União Soviética lançou o foguete Vostok, primeira nave espacial pilotada por um ser humano. Esses feitos colocavam a União Soviética em evidente posição de vantagem, indicando seu avanço científico e seu progresso socioeconômico. Frente à reação da opinião pública norte-americana, o então presidente John Kennedy prometeu colocar um norte-americano na Lua e, para isso, destinou verbas para a Nasa. A promessa só se realizou oito anos depois, em julho de 1969.
A ideologia da Guerra Fria foi altamente útil para as duas superpotências controlarem as áreas sob sua influência. Sempre apelando para a ameaça exercida pela potência inimiga, essas duas nações justificavam a agressão contra os países pobres. Usando a força ou o poder financeiro, elas controlavam países que buscavam independência, mantendo um mundo bipolarizado apesar da descolonização e das ideologias anticolonialistas.Na década de 1970, ocorreu uma aproximação entre a União Soviética e os Estados Unidos, com a ampliação de suas relações políticas e diplomáticas. Esse fenômeno foi chamado de Détente e foi acompanhado, pela primeira vez desde o início da Guerra Fria, pela tentativa de conter a corrida armamentista. As duas superpotências realizaram diversas conversações que resultaram numa série de acordos, sendo os mais importantes:

  • SALT 1 (Strategic Arms Limitation Treaty) – Foi assinado em maio de 1972, pelos líderes dos Estados Unidos, Richard Nixon, e da União Soviética, Leonid Brejnev. O tratado proibia a construção de sistemas de defesa baseados em antimísseis, pois o país que os conseguisse primeiro teria a capacidade de destruir os mísseis inimigos ainda no ar (antes que eles atingissem o alvo), o que desequilibraria o sistema de forças e permitiria um ataque nuclear de surpresa.
  • SALT 2 – Assinado em junho de 1979 por Jimmy Carter, dos Estados Unidos, e Leonid Brejnev. Previa um número máximo de mísseis balísticos intercontinentais e de ogivas nucleares. A rigor não foi um tratado de desarmamento, mas sim de limitação de armas.
  • INF (Intermediate-range Nuclear Forces) – assinado em dezembro de 1987 por Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos, e Mikhail Gorbatchev, da União Soviética. Previa a eliminação completa, em três anos, de todos os mísseis nucleares intermediários (alcance ente 500 e 5 mil quilômetros) instalados na Europa e Ásia.

Evolução do capitalismo

Durante a Guerra Fria o capitalismo passou por um dos seus períodos de crescimento econômico mais intenso.Diversas mudanças, em escala mundial, permitiram que a hegemonia norte-americana fosse se consolidando após A Segunda Guerra Mundial:

  • Conferencia de Bretton Woodos, em 1944, pela qual ficou estabelecido que o dólar passaria a ser a principal moeda de reserva mundial, abandonando-se o padrão-ouro;
  • Crescente participação das transnacionais norte-americanas no exterior, em especial na Europa e em alguns países subdesenvolvidos, como Brasil, México etc.
  • Expansão dos bancos norte-americanos e sua transnacionalização;
  • Descolonização da Ásia e da África, que criou dificuldades econômicas para os países europeus e abriu oportunidades para os Estados Unidos.

a) O sistema financeiro internacional

A montagem do sistema financeiro internacional, formado por um conjunto de normas, práticas e instituições que realizam ou recebem pagamentos das transações que são feitas fora das fronteiras nacionais, teve início em julho de 1944, num hotel chamado Bretton Woods, localizado na cidade norte-americana de Littleton(New Hampshire), onde 44 países assinaram um acordo para organizar o sistema monetário internacional. Esse sistema envolve as relações de dezenas de moedas, sendo vital para o fechamento das balanças comerciais e de pagamentos dos países do mundo. São três as funções do sistema: provisão de moeda internacional, as chamadas reservas; financiamento dos desequilíbrios formados pelo fechamento dos pagamentos entre os países; e ajuste das taxas cambiais.Procurava-se também resolver os problemas mais imediatos do pós-guerra, para permitir a reconstrução das economias européia e japonesa, mas o acordo acabou se transformando num reflexo do poder político e financeiro dos Estados Unidos. Nessa reunião também fora criados o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, conhecido hoje como Banco Mundial).A conferência estabeleceu uma paridade fixa entre as moedas do mundo e o dólar, que poderiam ser convertidos em ouro no Banco Central norte-americano q qualquer instante. Todos os países participantes fixaram o valor de sua moeda em relação ao ouro, cirando uma paridade internacional fixa. Todas as grandes nações da época, exceto a União Soviética, concordaram em criar o Banco Mundial, com a função de realizar empréstimo a longo prazo para reconstrução e desenvolvimento dos países-membros e o FMI para realizar crédito de curto prazo e estabilizar moedas em caso de urgência, essas instituições garantiram uma estabilidade monetária razoável durante 25 anos.À medida que as economias da Europa e do Japão foram se recuperando dos desastrosos efeitos da Segunda Guerra Mundial e que os países subdesenvolvidos se emanciparam de suas potências imperialista e passaram a agir como entidades econômicas independentes, uma série de deficiências do acordo Bretton Woods foram se tornando claras e gerando crises que se alargaram desde o final da década de 1960. a partir de 1971, quando o presidente norte-americano Richard Nixon abandonou o padrão ouro, deixou de existir a conversão automática de dólares em ouro. Com isso, o sistema de câmbio fixo desmoronou.Uma economia se define como dominante quando sua moeda passa a servir de parâmetro ou de reserva financeira para outros países. Quando em 1971 os Estados Unidos quebraram a conversão automática de dólar em outro, obrigaram os países que tinham dólares acumulados a guarda-los (já que não poderiam mais ser convertidos em ouro) ou vende-los no mercado livre (em geral com prejuízo). Em março de 1973 praticamente todos os países tinham desistido de fixar o valor de suas moedas em ouro e a flutuação cambial começou a se firmar como padrão mundial.A crise do petróleo em 1973 gerou condições definitivamente diferentes das existentes anteriormente e obrigou o conjunto de nações a tomar uma série de medidas a respeito do papel do ouro nas relações monetárias internacionais. Após 1973, as taxas de cambio de cada país passaram a flutuar e seu valor passou a ser determinado dia a dia.

b) As empresas transnacionais

Os investimentos internacionais cresceram em volume, pois além dos Estado Unidos as antigas potência européias, que estavam se recuperando da crise criada pelos desastres da guerra,também começaram a se expandir.O domínio mundial norte-americano é evidenciado pelo controle de mais da metade dos investimentos internacionais e pelo elevado número de filiais das empresas transnacionais. Com as transnacionais, a tendência de monopolização do capitalismo foi acelerada, fato que também pode ser observado nos programas de privatização que se intensificaram na década de 1980, envolvendo mais d cem países no mundo e movimentando trilhões de dólares.Ao produzir em locais onde a mão-de-obra é mais barata (tanto seu preço pr hora quanto os encargos sociais) ou onde os custos de proteção ambiental são nulos ou muito baixos, as transnacionais reduzem os seus custos de produção barateando as mercadorias. Dessa forma podem vender seus produtos mais baratos (quebrando a concorrência) ou aumentar suas taxas de lucro, ou uma combinação de ambos.Após a Segunda Guerra Mundial, iniciou-se o mais longo período de crescimento contínuo do capitalismo, abalado parcialmente pela crise do petróleo, em fins de 1973. Durante esse período, o valor da produção econômica quadruplicou e as exportações quase sextuplicaram nos países desenvolvidos. Uma das principais causa desse crescimento do capitalismo foi a expansão de um grupo bem definido de grandes empresas, das quais cerca de quinhentas atingem dimensões gigantescas.Essas empresas passaram a ser denominadas multinacionais a partie de 1960, mas essa expressão se popularizou após 1973, quando a revista Business Week publicou artigos e relatórios sobre elas. Segundo as Nações Unidas, as empresas multinacionais “são sociedades que possuem ou controlam meios de produção ou serviços fora do país onde estão estabelecidas”. Hoje, no entanto, toma-se consciência de que a palavra transnacional expressa melhor a idéia de que essas empresas não pertencem a várias nações (multinacionais), mais sim atuam além das fronteiras do país de origem.No final da Guerra Fria (1989), segundo relatório da ONU, existiam mais de 30 mil empresas transnacionais, que tinham espalhadas pelo mundo cerca de 150 mil filiais. Em 1970 essas empresas eram apenas 7,124, e tinham pouco mais de 24 mil subsidiárias.As transnacionais foram, durante o período da Guerra Fria, a maior fonte de capital externo para os países subdesenvolvidos (exceto nos anos do Plano Marshall), já que controlavam a maior parte do fluxo de capitais do mundo. No final da Guerra Fria, empresários norte-americanos controlavam mais de 35% das empresas transnacionais do mundo.A aceleração do crescimento das transações comerciais e o impressionante aumento do fluxo e turistas no mundo intensificaram as trocas de uma moeda em outra (câmbio), criando uma maior interdependência entre os países.

A questão cultural no mundo

O poder da imagem torna-se questão estratégica durante a Guerra Fria, quando comunistas e capitalistas servem-se dos meios de comunicação e de todas as formas de produção cultural para difundir seus ideais de vida em sociedade

A Coexistência Pacífica

Após a morte de Stálin, em 1953, assumiu o poder na União Soviética Nikita Kruschev. Em 1956, durante o XX congresso do PCUS (Partido Comunista da União Soviética), Kruschev denunciou os crimes cometidos durante a época de Stálin, repudiou o culto à personalidade Staliniana, propôs a “desestalinização” do país, através da descentralização administrativa e do aumento da produção de bens de consumo. Os objetivos passavam a ser o bem-estar da população e a rejeição à tese da guerra inevitável contra o capitalismo, propondo em seu lugar a Coexistência Pacífica entre Estados Unidos e União Soviética.
Essa nova postura levou a dissolução do Kominform, a mudanças de nomes de cidades, ruas e praças, retirada de monumentos e estátuas de Stálin de centenas de locais públicos, revisão da história soviética e reabilitação de personagens que na era stalinista haviam caído em desgraça.De fato, havia o intuito de diminuir a tensão entre as duas superpotências, mas a Coexistência Pacífica implicava em certos riscos políticos para a União Soviética: os países do Leste Europeu poderiam interpretar tal política como liberalizante e, a partir daí, tentar buscar um rumo próprio, sem permanecer necessariamente sob a órbita soviética. Isso, como era de se esperar, seria inaceitável para a União Soviética, e logo surgiriam conflitos. Em 1956, ocorreram agitações na Polônia e principalmente na Hungria. Com forte apoio popular, o líder húngaro Imre Nagy quis afastar o país do Pacto de Varsóvia, o que acabou gerando uma violenta invasão soviética no país.Em 1962, Estados Unidos e União Soviética chegaram às portas de um conflito nuclear generalizado, ameaçando a Coexistência Pacífica, por causa da Crise dos Mísseis de Cuba.

A Era Reagan (1981-1988)

Em 1981, Ronald Reagan, do Partido Republicano, assumiu a presidência dos Estado Unidos. Iria governar até 1989, uma vez que fora reeleito. Em seu governo buscou acirrar o enfrentamento com a União Soviética, fazendo reviver os piores momentos da Guerra Fria. Promoveu violenta corrida armamentista com a União Soviética, destinando investimentos maciços em novas e sofisticadas armas, como os aviões “invisíveis” (isto é, não captados por radar), novos submarinos e novas armas nucleares, além de dar sinal verde ao ambicioso projeto da Iniciativa de Defesa Estratégica, programa conhecido pelo nome de Guerra nas Estrelas. Com esse programa, os EUA construíram um “escudo”, uma “muralha” de defesa contra mísseis que fossem lançados por inimigos sobre os EUA.A política externa de Reagan era agressiva, iniciando a instalação de mísseis nucleares de médio alcance na Europa, ordenou também sanções econômicas contra a União Soviética. Na América Latina, promoveu a invasão da ilha Granada, além de financiar os “contras”, grupos de guerrilheiros contrários ao regime nicaragüense de esquerda implantado no país em 1979.Do ponto de vista econômico, seu governo foi marcado pela adoção de práticas neoliberais, baseadas na promoção do livre comércio e da livre circulação de capital no mundo capitalista e no corte dos gastos do governo, especialmente os gastos sociais. Entretanto, para financiar gastos militares crescentes, adotou uma política de juros altos e endividamento do Estado.Entro da lógica da Guerra Fria, fortalecimento militar de uma superpotência deveria ser acompanhado pelo da outra, com o objetivo de manter o “equilíbrio” do poder. Assim, a União Soviética também aumentou seus gastos militares, o que acabou por demonstrar sua fragilidade econômica.

A crise soviética

Já durante o longo governo de Leonid Brejnev (1964-1982), o país havia iniciado um prolongado período de estagnação econômica. O centralismo e a burocratização excessiva do regime impediram que o país acompanhasse a dinamização econômica promovida pelas inovações tecnológicas e partir da década de 1970, principalmente em setores como o da microeletrônica, com todas as suas aplicações, a queda de produtividade e a diminuição da eficiência econômica se seguiram, afetando principalmente os setores não militares. Com grande esforço, prosseguia a produção de armas sofisticadas, enquanto as condições de vida da população se deterioravam.
Do ponto de vista político, dentro de um quadro estalinita, Brejnev reprimia dissidentes com violência. Em a1968, iniciaram-se reformas na Tchecoslováquia, quando o governo do primeiro-secretário Alexander Dubcek suspendeu a censura à imprensa, fato que abriu espaço para um número crescente de críticas ao centralismo de Moscou, exigências de maiôs liberdade política e pluripartidarismo. Nos meses seguintes, as pressões populares por maior liberdade cresceram, com exigências de reformas mais profundas e o afastamento de pessoas do governo vinculadas à União Soviética. A Iugoslávia e a Romênia revelaram publicamente seu apoio ao reformismo Tcheco.Em agosto de 1968, os soldados do Pacto de Varsóvia ocuparam o país, impondo violentamente o alinhamento com Moscou e o encerramento das reformas liberais. Esse episódio chamado de Primavera de Praga evidenciou que a União Soviética temia a perda de hegemonia nos países do Leste europeu e o conseqüente desequilíbrio de forças que isso representaria na Europa.

Repressão em Praga

Na Polônia ocorreu, a partir de 1980, um movimento de reordenamento político, provocado pelo surgimento de um sindicato independente chamado Solidariedade, nascido nos estaleiros do mar Báltico. As greves se multiplicaram e se espalharam por todo o país, colocando em evidência a liderança do sindicalista Lech Walesa, o que levou o governo a aumentar o salário e reconhecer a legitimidade do Solidariedade.Nos meses que se seguiram, o Solidariedade ampliou sua ação para as demais regiões industriais do país e filiou os pequenos proprietários de terras. A União Soviética aumentou sua pressão sobre o governo, exigindo repressão ao movimento, ao mesmo tempo que o Solidariedade criava um partido político e exigia eleições livres e pluripartidárias.Em outubro de 1981, o ministro da Defesa, general Wojciech Jaruzelski, apoiado pela URSS, tomou o governo, decretou o estado de emergência, colocou o Solidariedade na ilegalidade e mandou prender diversos de seus dirigentes.À morte de Brejnev seguiu-se um período de incerteza política, com os curtos governos de Iúri Andropov (1982-1984) e Konstantin Tchernenko (1984-1985). A situação econômica do país se agravava seriamente, com as pressões provocadas pelacorrida armamentista da Era Reagan. O PIB soviético declinou e o país passou a ser basicamente um exportador de produtos naturais (petróleo e gás natural, 53% das exportações soviéticas de 1985). Ao mesmo tempo, passou a importar máquinas e equipamentos do exterior em quantidades crescentes.

A URSS e as reformas de Gorbatchev (1985 – 1991)

Em 1985, assumiu o poder Mikhail Gorbatchev, que logo anunciou seu desejo de realizar profundas reformas no país. Projetou a perestroika (reestruturação da economia), na urgência de buscar um novo impulso tecnológico e produtivo que eliminasse os entraves burocráticos do planejamento centralizado e atendesse às necessidades de consumo da sociedade soviética. No âmbito internacional, Gorbatchev procurou realizar acordos de desarmamento nuclear com o bloco capitalista, reduzindo os gastos com a corrida armamentista típica da Guerra Fria, para viabilizar os investimentos que planejava.Portanto, fatores de ordem interna e externa, altamente inter-relacionados, determinaram a crise do socialismo e, mais especificamente, a da União Soviética. Vejamos uma síntese desses fatores:

a) Fatores externos

  • Defasagem tecnológica – As transformações trazidas com a Terceira Revolução Industrial provocaram uma crescente defasagem ente o desenvolvimento tecnológico da União Soviética e do mundo capitalista. Os soviéticos não conseguiam acompanhar o ritmo dinâmico da economia ocidental, devido à rigidez de suas estruturas produtivas e administrativas.
  • Corrida armamentista e espacial – A URSS não dispunha mais dos capitais volumosos necessários para aompanhar os Estados Unidos na corrida armamentista e aeroespacial. A necessidade de um orçamento militar gigantesco e de conceder ajuda comercial, técnica, militar e financeira aos países socialistas aliados sangrava o tesouro soviético, impossibilitando o país de acompanhar a modernização do mundo capitalista.


    b) Fatores internos
  • Desarticulação da economia – Foi provocada pelas reformas parciaks, que trouxeram inflação, escassez de produtos e agitação popular.
  • Crescimento da pressão popular – O povo pressionava o governo, exigindo mnelhoria da ofernta de vens de consumo e maior liberdade política.
  • Agravamento dos conflitos políticos – Começaram a se chocar os três grandes grupos que compunham a sociedade soviética e se posicionavam de formas diferentes em relação à Perestroika: os burocratas se opunham às reformas, por temer a perda de privilégios, uma parcela da população as apoiava e uma última criticava sua lentidão.
  • Problemas étnicos – Com o início das reformas, vários povos de diferentes etnias, dominados pelos russos, passaram a exigir maior liberdade de expressão e autonomia política. Em muitos casos esses grupos nacionalistas levaram regiões do país a declararem independência.

Para fazer frente a esse problemático quadro, Gorbatchev buscou entendimento com o bloco capitalista, procurando limitar os gastos militares (com aramas nucleares) e poupar ma parcela do orçamento soviético para aplicar na modernização da economia. Assim, o líder soviético passou a pressionar os Estados Unidos a assinar acordos que pusessem fim à corrida armamentista.Ainda como parte de seu plano de alívio nas relações internacionais e redução de gastos, Gorbatchev afrouxou os laços políticos, econômicos e militares com os satélites do Leste Europeu. Essa flexibilização do governo soviético gerou reformas locais, que logo ganharam força própria e quebraram a unidade do bloco socialista. Os problemas internos, no entanto não deram margem de manobra para Gorbatchev. As mudanças que deveriam produzir dinamização e modernização do país acabaram por agravar sua frágil estrutura produtiva. A principal conseqüência foi a desabastecimento, que permitiu à velha burocracia, que se opunha à Perestroika, ganhar apoio popular, engrossando número de descontentes com as reformas.Para completar a perestroika, foi criada a glasnost (abertura política), que terminou com o monopólio político do Partido Comunista e permitiu eleições livres em 1990. Pressionado pelos grupos que se opunham a Perestroika, Gorbatchev procurou conquistar apoio popular acelerando a glasnost.O problema é que para alcançar todas essas medidas era necessária uma reaproximação com os Estados Unidos. Em 1986 ocorreu uma primeira reunião de cúpula entre Reagan e Gorbatchev, na Islândia. Em 1987 foi assinado um acordo de eliminação dos mísseis nucleares de médio alcance na Europa. No ano seguinte, a União Soviética retirou suas tropas do Afeganistão, encerrando seu sangrento envolvimento. Finalmente, em 1991, foi extinto o Pacto de Varsóvia.

O fim da Guerra Fria

As mudanças promovidas por Gorbatchev acabaram levando à desagregação de todo o Bloco socialista. A partir de 1989, os países do Leste Europeu começaram a passar pelo seu próprio processo de reformas que acarretaram o fim do socialismo. O caos mais dramático, pelas suas implicações políticas, foi o da Alemanha Oriental. O fim das restrições à circulação de pessoas entre o leste e o oeste da Europa, ou seja, o fim da cortina de ferro, resultou num imenso deslocamento de alemães do oriente para o ocidente. A pressão popular e a incapacidade do governo alemão oriental em se manter ser apoio soviético ocasionaram a queda do líder conservador Erich Honecker e, em novembro, a derrubada do muro de Berlim, marcando simbolicamente o fim da Guerra Fria. A união das Alemanhas foi concluída em outubro de 1990. Em 1991, a capital da Alemanha reunificada foi transferida para Berlin.
Nos demais países da Europa Oriental, governos socialistas foram sendo derrubados, às vezes de forma violenta, com na Romênia, culminando com o assassinato do ditador Nicolae Ceausescu. Em outros casos, acabou ocorrendo a desagregação do país, como na Tchecoslováquia, que se dividiu em República Tcheca e Eslováquia. Em 1991, oficializava-se o fim das forças militares do Pacto de Varsóvia, rompendo os últimos elos dos países do leste e este. Dentro do território soviético, o processo reformista também escapava ao controle de Gorbatchev. Aproveitando-se das mudanças, as Repúblicas Bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia) iniciaram um movimento de separação da União Soviética, forçando a repressão por parte dos soviéticos. No entanto, as forças políticas soviéticas articularam-se e provocaram a queda de Gorbatchev. Boris Yeltsin, presidente da República Russa, a mais importante das quinze Repúblicas que formavam o conjunto da União Soviética, passou a liderar o grupo radical-reformista (“ultra-perestroikistas”), que pretendia nada menos que a implantação do capitalismo do país, o que nunca fora um projeto que Gorbatchev. Do lado oposto, encontrava-se a burocracia conservadora, formada pelo Partido Comunista e por todos os privilegiados da velha ordem comunista, que viam, agora, suas vantagens desaparecerem com as reformas.Em agosto de 1991, a burocracia conservadora deu um golpe, afastando Gorbatchev. A reação popular, a divisão dentro das Forças Armadas e, principalmente, a liderança de Yeltsin, convocando uma greve geral contra o golpe e liderando a mobilização popular diante do Parlamento russo, acabou por frustra-lo. No processo, Gorbatchev viu-se desprestigiado e foi considerado o responsável pela manutenção, no poder, dos elementos da burocracia conservadora que tentaram o golpe.
Em dezembro de 1991, Yeltsin assinou com a Ucrânia e a Belarus o Tratado de Mensk, proclamando o fim da União Soviética e a formação de uma organização supranacional, chamada de CEI, Comunidade dos Estados Independentes. Dias depois, diversas outras repúblicas e ex-república soviéticas aderiram à nova organização. Em 25 de dezembro de 1991, Gorbatchev renunciou à presidência da União Soviética, um país que em verdade já não existia havia vários dias.
Com o desmembramento e o fim da União Soviética, cada uma de suas antigas repúblicas passou por diferentes tipos de reformas, buscando organizar a economia de mercado. Na tentativa de manter uma certa continuidade de relações econômicas, diversas medidas foram tomadas no âmbito da CEI. Inicialmente, o rublo continuou a ser a moeda utilizada pela maior parte dos países-membros, e foi feita a partilha da dívida externa que a União Soviética mantinha com a comunidade financeira internacional.Depois do fim da União Soviética, a influência capitalista sobre a Europa Oriental cresceu rapidamente. Essa influência não se limitou ao plano econômico. Sob o ponto de vista militar ocorreu um processo semelhante, com diversos países aderindo á Otan, apesar dos protestos da Rússia.A ampliação da Otan para toda a Europa parece se aproximar rapidamente. Em 15 de maio de 2002, ocorreu a criação do Conselho Rússia-Otan, primeiro passo para que esse país entre na organização. Mais de dez países estão na fila de espera para assinar o Tratado.

A situação de outros países no pós-guerra

A Crise Grega

O agravamento das relações leste-oeste teve na Grécia um dos principais pontos de tensão. Ao final da Segunda Guerra, os partisans, guerrilheiros gregos, iniciaram uma guerra civil contra o governo Tsaldaris, apoiados pelos Estados socialistas vizinhos. Entretanto, os quarenta mil soldados britânicos que ocupavam o país desde a guerra, apoiando a facção anticomunista, impediram que os guerrilheiros alcançassem a vitória; estes, porém, permaneceram em luta. Em 1947, a situação econômica da Inglaterra obrigou-a a sair da Grécia. Diante do perigo comunista ainda existente e baseados na Doutrina Truman e no Plano Marshall, os EUA decidiram intervir econômica e militarmente na Grécia.O apoio norte-americano deu-se nos planos militar e econômico: em 1947, por exemplo, ingressaram na Grécia 23 mil homens e 250 milhões de dólares. Os combates entre os guerrilheiros comunistas e o governo arrasaram o país, causando dezenas de milhares de mortes e a destruição de sua economia. Em 1949, os comunistas gregos, em desvantagem militar, declaram pelo rádio o fim da guerra, abandonando a luta para evitar o fim da Grécia.

A Revolução Chinesa (1949)

Em 1912, o milenar e decadente Império Chinês chegou ao fim. Sun Yat-sem, fundador do Partido Nacionalista (Kuomintang), derrubou a dinastia Manchu e proclamou a República. Iniciou-se então uma guerra civil, pois os generais do norte do país se opuseram à República.Com a morte de Sun Yat-sem, em 1925, Chang Kai-chek, líder do Kuomintang, assumiu a chefia do governo e conseguiu finalmente derrotar os poderosos chefes militares do norte.Mas a guerra civil continuou, pois Chang Kai-Chek rompeu a aliança que Sun Yat-sem havia feito com o Partido Comunista, fundado por Mao Tse-tung, em 1921. Perseguidos, os comunistas refugiaram-se em Kiangsi e Fukien, onde começaram a formar grupos guerrilheiros. Em 1931, Mao proclamou em Kiangsi a República Soviética Chinesa.A proclamação da República Soviética Chinesa desencadeou a perseguição aos comunistas por Chang Kai-chek, que tentou cercar os grupos liderados por Mao.Para evitar o cerco, Mao Tse-tung e seus companheiros começaram uma marcha em direção ao extremo norte do país, onde estabeleceram uma nova base para suas operações guerrilheiras. Esse deslocamento ficou conhecido como a Longa Marcha. Durante quase dois anos, de 1934 a 1935, cerca de cem mil homens percorreram 9 600 quilômetros. Os sobreviventes, aproximadamente vinte mil, constituíram uma força militar muito bem preparada e extremamente fiel à liderança de Mao.Em 1936, apoiado nos acordos que firmou com a Alemanha, o Japão invadiu a região da Manchúria, no norte da China. Sem condições de resistir à invasão japonesa, Chang Kai-chek fez um acordo com os comunistas com o objetivo de expulsar os invasores. A luta pela expulsão dos japoneses ficou conhecida como guerra Sino-Japonesa.Com o fim da Segunda Guerra e a rendição do Japão em 1945, a China livrou-se dos invasores, mas as rivalidades entre os comunistas e os nacionalistas do Kuomintang recomeçaram e a guerra civil voltou outra vez a abalar o país. Finalmente, em 1949, os comunistas derrotaram os nacionalistas. Chang Kai-chek fugiu para a ilha de Formosa, onde criou a República Nacionalista da China, apoiado pelos Estados Unidos. No continente estabeleceu-se, sob a liderança de Mao Tsé-tung, a República Popular da China.
O governo de Mao Tsé-tung
Mao governou a China Comunista até a sua morte, em 1976. No início de seu mandato, ele desapropriou os latifúndios, concedeu terras aos camponeses e tornou a educação obrigatória. Realizou também profundas mudanças nos hábitos tradicionais da população. Estabeleceu, por exemplo, a igualdade entre os sexos, libertando a mulher da submissão ao homem, pois todos foram incorporados como mão-de-obra ativa na construção do novo país. Iniciou uma campanha pelo controle da natalidade.O líder chinês, da mesma forma que Stálin na União Soviética, desencadeou uma severa perseguição a seus adversários políticos. Com a eliminação de todos os que se opunham a ele, Mao passou a concentrar ditatorialmente o poder em suas mãos.A Revolução Chinesa procurou uma saída diferente da adotada pela Revolução Russa. Mao Tse-tung pretendia mudar primeiramente a produção agrária, que ele supunha necessária para o desencadeamento da industrialização do país.A independência do governo chinês na condução da economia do país levou ao rompimento das relações diplomáticas e comerciais entrem a União Soviética e a China, em 1960. Esse rompimento prejudicou o plano de industrialização, denominado Grande Salto para Frente. Projetado em 1958, esse plano tinha o apoio da União Soviética. Com o rompimento entre os dois países, a União Soviética retirou seus técnicos da China e reduziu o comércio com ela. O mercado chinês viu-se obrigado então a se abrir para os investimentos capitalistas, importando mercadorias principalmente do Japão e da Alemanha Ocidental.Visando disciplinar e incrementar a produção agrícola, Mao Tsé-tung determinou a estatização das pequenas propriedades camponesas e a criação de cooperativas agrícolas no final da década de 1950. Contra esta imposição revoltaram-se milhões de camponeses, além de intelectuais que passaram a contestar o poder instituído.Nos últimos anos de seu mandato, entre 1966 e 1975, Mao deu início à Revolução Cultural. Para isso criou a Guarda Vermelha, constituída de jovens militantes comunistas que obedeciam rigorosamente às ordens do Partido Comunista. O objetivo de Mao com a Revolução Cultural era afastar dos postos de importância todas as pessoas que se opunham a ele.

A liberação da economia chinesa
Mao Tse-tung morreu em setembro de 1976. Em julho do ano seguinte, Deng Xiaoping assumiu o poder e pôs em prática uma política reformista.A partir de então, o governo chinês tem incentivado o desenvolvimento econômico e a militarização do país, em detrimento da manutenção do sistema comunista tradicional. Privatizou propriedades, acentuou a concorrência salarial para estimular a produção e criou, com o apoio do capital internacional – japonês e norte-americano – a indústria de bens de consumo – têxtil, alimentar e eletrônica – para garantir a oferta de empregos e o nível de consumos elevados.No ano de 1979, a China reatou relações diplomáticas com os Estados Unidos. Em 1981, Deng Xiaoping condenou à morte o principal grupo de oposição a seu governo – conhecido por Camarilha dos Quatro -, composto entre outros pela mulher de Mao Tse-tung, Jiang Qing. Mas a pena foi comutada para prisão perpétua.Hoje o problema da China continua a ser a provisão dos meios de subsistência para uma população superior a um bilhão de habitantes.
A Primavera de Pequim
Em 1988, foi escolhido Li Peng para o cargo de primeiro-ministro, que adotou uma posição mais rígida contra a abertura do regime comunista. Mas a população chinesa, principalmente os estudantes, passaram a pressionar o governo por mais liberdade.O auge dessas reivindicações se deu em maio de 1989. Os estudantes foram para as ruas exigindo liberdade política, o fim da corrupção e dos privilégios dos altos funcionários do Partido. O movimento aumentou e os estudantes acamparam na praça da Paz Celestial, prometendo se retirar dali somente depois da democratização do regime.Em junho de 1989, em vez de acenar com medidas democratizantes, o governo agiu com extrema violência. Tropas e tanques do Exército invadiram a praça, batendo nas pessoas, disparando contra os manifestantes e realizando prisões de líderes estudantis. Muitas pessoas morreram durante essa repressão.Essa tentativa dos chineses por um país mais livre ficou conhecida como Primavera de Pequim.

A Guerra da Coréia

A Coréia, dominada pelo Japão durante a Segunda Guerra, foi, após a derrota do Eixo, em 1945, dividida entre norte-americanos e soviéticos. Antes do término da guerra, já se havia determinado o paralelo 38° Norte como limite de atuação militar entre soviéticos e americanos, com o objetivo de acelerar a rendição japonesa em duas frentes. Após a guerra, no entanto, esse limite transformou-se em divisão real, surgindo dois Estados coreanos, sob ocupação de cada uma das duas potências: a República da Coréia, ao sul, sob domínio norte-americano, e a República Popular Democrática da Coréia do Norte, sob ocupação soviética.A divisão do país, as divergências político-ideológicas e a tensão gerada pela Guerra Fria desencadearam o confronto entre os dois Estados, transformando a região do paralelo 38° em uma área de sucessivos conflitos armados. A vitória dos comunistas de Mão Tse-tung na China, no final de 1949, serviu de motivação aos coreanos do norte, que, em 195, invadiram o sul e conseguiram sua capitulação, buscando a unificação territorial da Coréia.Na ONU, os Estados Unidos e seus aliados consideraram a Coréia do Norte agressora e interviram, sob o comando do general MacArthur, para conter seu avanço. De outro lado, China e União Soviética deram apoio aos norte-coreanos, deixando, assim, evidente a bipolarização na região. Diante do risco de uma guerra totalmente idesejada, as potências envolvidas forçaram iniciativas para obtenção de um acordo de paz.Com a morte de Stálin, em março de 1953, abriu-se espaço para mudanças na política externa soviética, ao mesmo tempo que a eleição do novo presidente norte-americano, o republicano Dwight Eisenhower, acelerou as negociações para um armistício. Finalmente, em 27 de julho de 1953, foi assinado um acordo de paz em Pan Munjon, restabelecendo as antigas fronteiras. O custo da guerra foi bastante alto para ambos os lados: a Coréia do Sul sofreu trezentas mil baixas militares; os americanos, dezenas de milhares e as forças da ONU, mais de dezessete mil; as baixas chinesas e norte-coreanas estiveram entre 1,5 e dois milhões, e cerca de um milhão de civis pereceu tanto na Coréia do Norte como na do Sul. A paz de Pan Munjon, logo após a morte de Stálin, impulsionou a aproximação entre a URSS e os EUA, encerrando a fase crítica. Para a Coréia, entretanto, a manutenção da divisão em Norte e Sul preservou o clima de confrontação e atritos fronteiriços ao longo das décadas seguintes.Depois da guerra, a Coréia do Sul recebeu investimentos e tecnologia estrangeira, ascendendo a posição de “tigre asiático” do desenvolvimento capitalista. Em 1953, o PNB per capita da Correia do Sul foi algo próximo a 10 mil dólares, quase 23 vezes maior que o de 1972, quando o país era essencialmente agrário e não muito distante do status econômico da Correria do Norte. Ainda em 1993, a Coréia do Sul alcançou a liderança mundial na construção de navios, detendo cerca de 40% do mercado, além de ser o sexto maior produtor de automóveis, com 2,1 milhões de unidades. Nos anos seguintes, seu crescimento econômico continuou em alta, além de ganhar importância internacional na produção de itens de alta sofisticação tecnológica como os chips de memória empregados em computadores pessoais.O enorme desenvolvimento econômico da Coréia do Sul convive ainda com diversas leis protecionistas que restringem o acesso internacional do mercado, cada vez mais contestadas por seus parceiros capitalistas.Em 1997, a economia Sul Coreana sofreu sério revés com a crise dos “tigres asiáticos” . O país recorreu ao FMI, obtendo o maior empréstimo da historia dessa instituição até então: 57 bilhões de dólares. Mesmo assim, as dificuldades continuarem se avolumando. Em 1998, o crescimento anual do bip despencou de 7,4% (média de crescimento que mantinha desde 1990) para –6,8%. Politicamente, a Coréia do Sul passou por diversos golpes militares, ditaduras e escândalos ligados à corrupção, sendo dominada por indivíduos afinados com os interesses empresariais do país e oposição e à vizinha Coréia do Norte.Do seu nascimento até 1960, a presidência do país coube ao líder nacionalista Syngmam Rhe, que renunciou devido as acusações de corrupção. Seu sucessor, Chang Myong, foi derrubado, em 1961, por um golpe militar, liderado pelo general Park Chung Hee, o qual continuou chefiando o governo sul-coreano, vencendo as eleições de 1963, 1967 e 1971. Em seguida, em 1972, instaurou uma ditadura militar e transformou-se em ditador vitalício, eliminando a oposição. Foi assassinado em 1979, mas os militares permaneceram no poder, tendo à frente Chun Doo Hwan. Diante dos protestos estudantis, Hwan restabeleceu as eleições diretas, em 1987, na qual venceu o candidato governamental Roh Tae Woo. Mesmo sob acusações da corrupção admitidas pelos governistas, Roh conseguiu eleger seu candidato governamental em 1993, Kim Young-Sam, sem mudanças substanciais na ordem política sul-coreana.Em 1995, o ex-presidente Roh foi preso sob a acusação de receber milhões de dólares em propina e, logo em seguida, foi a vez do também ex-presidente Chun Dôo Hwan, acusado de golpe militar em 1979 e repressão sangrenta contra opositores. No final de 1997, em meio à crise econômica, o líder oposicionista Kim Dae Jung venceu a eleição presidencial.Já a Coréia do Norte manteve um regime comunista fechado, isto é, sob um forte controle do Partido Comunista, o único autorizado a funcionar no país, tendo à frente Kim Il-Sung. Este permaneceu no poder até a sua morte, em 1994, sendo substituído, então, pelo filho Kim Jong-il.Após a guerra contra a Coréia do Sul, a Coréia do norte contou com a importante ajuda soviética e chinesa, mantendo-se ligada apenas ao países do bloco socialista. Entretanto, durante o governo Gobatchev (1985-1991) na União Soviética, devido a discordâncias com o reformismo soviético, as ligações econômicas entre esses países foram enfraquecendo, diminuindo ainda mais como colapso do socialismo no Leste europeu no final dos anos 80 e início dos 90. A Coréia do norte iniciou a queda de seu isolamento com o mundo capitalista, reatando relações comerciais com Formosa (Taiwan) e o Japão. Ainda nos anos 90, com o final da Guerra Fria, aproximou-se também dos Estados Unidos e até da Coréia do Sul, abrindo possibilidades, ainda repletas de dificuldades, de reunificação com a Coréia do Sul.

A Revolução Cubana

Cuba tornou-se independente em 1898. Mas como os EUA apoiaram os cubanos em sua luta contra os espanhóis, cuba acabou ficando sobre o controle dos norte-americanos. Uma elite privilegiada formada em grande parte por latifundiários produtores de açúcar, tirava proveito dessa dominação. Empresários norte-americanos contavam com inúmeros empreendimentos agrícolas, industriais e turísticos na ilha. A população local, composta basicamente por camponeses, era explorada e vivia na penúria.Em 1952, um golpe de Estado levou ao poder o sargento Fulgêncio Batista, cujo governo se caracterizou pela violência e corrupção.
Fidel Castro, um jovem advogado, organizou um grupo armado e tentou tomar de assalto o quartel de Moncada, localizado na cidade de Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. Sua intenção era criar aí um foco revolucionário e tomar o poder. A tentativa não deu certo e Fidel Castro foi preso.Depois de dois anos na prisão, Fidel foi solto e exilou-se no México.Três anos depois, em companhia de Camilo Cienfuegos e do médico argentino Ernesto Che Guevara, Fidel Castro liderou um grupo de guerrilheiros que desembarcou em Cuba.Atacado pelo exército de Batista, o grupo refugiou-se na Sierra Maestra. Dois anos depois, um movimento já era grande e tinha o apoio de boa parte dos cubanos. Primeiramente, conquistou os camponeses, depois, a população das cidades.Os guerrilheiros avançaram da parte leste da ilha em direção a Havana, localizada a oeste. A medida que avançavam, os guerrilheiros iam tomando as cidades e instalando governos fiéis ao comando revolucionário. Finalmente, no dia 1º de janeiro de 1959, tomaram Havana. O ditador Fulgêncio Batista se exilou nos EUA. Milhares de cubanos contrários a revolução também deixaram o país.O novo governo tentou estabelecer um acordo econômico com os EUA, de quem dependia para a venda do açúcar, principal riqueza da ilha. Mas isto se tornou impossível diante da medida tomada pelo governo revolucionário de estatizar as empresas estrangeiras em Cuba. O governo norte-americano, em represália, suspendeu as importações de açúcar cubano, principal fonte de divisas do país.Em reação ao boicote norte-americano, Cuba recorreu ao auxílio da URSS e, em 1961, tornou-se declaradamente socialista. O governo cubano nacionalizou fábricas, minas e latifúndios e criou, no campo, cooperativas semelhantes às soviéticas, que foram chamadas de Granjas del Pueblo. A União Soviética comprometeu-se s comprar grande parte da produção de açúcar cubano por um preço fixo. Isso era vantajoso para Cuba, pois o preço não oscilava com a oferta e a procura. Cuba, por sua vez, comprava da União Soviética, ou dos países socialistas da Europa oriental, armas, máquinas e outros artigos industrializados.Os cubanos eram bastante favorecidos nas importações, pois os produtos estrangeiros eram vendidos a Cuba por preços bastante favoráveis. O preço do petróleo vendido pela União Soviética, por exemplo, era bastante reduzido. E como o consumo de petróleo era muito baixo no país, Cuba, o revendia pelo preço de mercado a outros países, conseguindo assim recursos financeiros. Calcula-se que a União Soviética, durante quase trinta anos, investiu em Cuba cerca de dez milhões de dólares por dia. Mas esse era o preço que ela tinha de pagar para manter uma região sob sua influência numa área de domínio americano.A reação dos Estados Unidos à política de Fidel Castro de alinhamento ao bloco socialista foi imediata. A Agência Central de Inteligência (CIA) organizou e equipou, em 1961, um contingente de exilados cubanos que invadiu a ilha. Mas os cubanos reagiram prontamente, e a invasão foi um fracasso. Em 1962, a União Soviética instalou bases para lançamento de mísseis na ilha, o que provocou uma crise internacional. Foi a Crise dos Mísseis, quando o presidente norte-americano John Kennedy ameaçou invadir a ilha sob justificativa de destruir os mísseis nucleares instalados pelos soviéticos em Cuba. EUA e URSS resolveram o conflito cedendo de ambos os lados: retirada dos mísseis soviéticos e garantia de não-intervenção militar norte-americana na ilha.
Ainda em 1962, os Estados Unidos influenciaram os países membros da OEA a expulsarem Cuba da organização e lideraram um bloqueio comercial à ilha.Na década de 1960, o governo cubano, apoiado pela União Soviética, iniciou um processo de difusão da revolução socialista pela América Latina. Ajudou na organização de grupos politizados em diversos países, como Venezuela, Colômbia, Equador, Guatemala, Bolívia, Uruguai, Argentina, Nicarágua e Brasil. Enquanto lutava na Bolívia, em 1967, Che Guevara foi assassinado.Na década de 1970, quando esses focos revolucionários já tinham sido reprimidos pelos governos locais com a ajuda norte-americana, diversos países voltaram a reatar relações diplomáticas e comerciais com Cuba. Mas os Estados Unidos ainda mantêm o bloqueio contra o governo de Fidel Castro.Na década de 1980, Fidel Castro passou a enviar tropas e conselheiros cubanos a diversos países da África, cujos governos socialistas enfrentavam oposição armada. A presença de tropas cubanas foi muito forte em Angola. Cuba apoiou também os movimentos revolucionários que na década de 80 ocorreram em El Salvador e Nicarágua.Mas, com o fim do socialismo na União Soviética em 1991, o país de Fidel Castro deixou de receber o apoio econômico que o governo socialista lhe enviava. Hoje, Cuba encontra-se à beira de um colapso econômico e sua população vive sob intenso racionamento de combustível, energia e de gêneros alimentícios básicos.Apesar do caráter autoritário e centralizador que caracteriza o governo de Fidel Castro, a revolução socialista criou um sistema de ensino básico gratuito e obrigatório e um eficiente esquema de saúde pública, inexistente nos demais países da América Latina.

O Chile

A evolução política do Chile é muito especial na América Latina, pois foi o único país a eleger um presidente socialista. No ano de 1970, uma coligação de partidos de esquerda conseguiu eleger presidente da República o socialista Salvador Allende.Allende pôs em prática uma política nacionalista e antiamericana. Uma de suas primeiras medidas foi a nacionalização das minas de cobre, principal fonte econômica do país, que eram exploradas por empresas norte-americanas e inglesas.Apoiado pelo Mapu (Movimento de Ação Popular Unitária) e pelo grupo guerrilheiro MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária), o presidente iniciou uma reforma agrária nos moldes das demais nações socialistas.Allende aumentou as relações comerciais com o bloco socialista, principalmente com a União Soviética e a China.O governo americano reagiu à nacionalização das minas de cobre e, junto com grupos conservadores chilenos, iniciou um plano para desestabilizar o governo de Allande.Os comerciantes chilenos retiveram os gêneros de primeira necessidade, o que levou a um aumento muito grande dos preços, e agentes da CIA provocaram greves no país, paralisando o setor de transportes e combustíveis. Esses fatos geraram uma insatisfação popular muito grande, e uma onda de protestos contra o governo começou a ocorrer nas principais cidades do país, principalmente na capital, Santiago.Para piorar a situação, o preço do cobre caiu no mercado internacional, dificultando ainda mais as finanças do país, pois o cobre é o primeiro item da pauta de exportações do Chile.Por fim, os Estados Unidos apoiaram um golpe militar. No dia 11 de setembro de 1973, tropas lideradas pelo chefe das Forças Armadas do governo, o general Augusto Pinochet, bombardearam o palácio de La Moneda. O presidente Allende, que estava em seu interior, negou-se a sair. Foi encontrado morto quando as tropas de Pinochet entraram no palácio.Pinochet assumiu o poder e iniciou logo uma violenta repressão aos aliados de Allende. Dezenas de milhares de pessoas foram exiladas, presas ou assassinadas. Pinochet devolveu aos seus antigos donos cerca de 150 empresas nacionalizadas por Allende.
Mas o desrespeito aos direitos civis no Chile era tão grande, que entidades internacionais começaram a criticar o governo Pinochet. Em 1977, a Assembléia Geral da ONU condenou o Chile por violações aos direitos humanos. Uma série de atentados terroristas, praticados por grupos que combatiam o governo, aumentou ainda mais a repressão. A esta situação política somou-se a crise econômica, com a queda da produção agrícola e industrial.Por volta de 1986, as forças armadas que apoiavam Pinochet encontravam-se divididas. Alguns comandantes propunham a realização de eleições, como uma forma de os militares saírem da vida política.Em 1988, Pinochet convocou um plebiscito para consultar o povo sobre sua permanência no governo. Acreditava que os chilenos o apoiariam. Mas os partidos de oposição fizeram campanha pelo não, que acabou vencendo. O sim a Pinochet obteve 43% dos votos; o não, 55%.As oposições superaram suas divergências e lançaram um candidato único à presidência da República, o democrata Patrício Aylwin, que foi eleito em 1989. O Chile voltava a ser uma democracia depois de dezesseis anos de ditadura.

A Revolução Nicaragüense

A Nicarágua passou na década de 1970 e 1980 por uma experiência revolucionária semelhante à de Cuba.Enquanto a maior parte do povo vivia miseravelmente, o país era dominado por empresas norte-americanas, como a United Fruit Company, e governado com mão de ferro pelo ditador Anastácio Somoza Debayle, membro da família Somoza, que dominou a Nicarágua por quarenta anos.Em 1927, o operário Augusto César Sandino organizou um grupo guerrilheiro para lutar contra a dominação americana. Esse líder foi morto por elementos da Guarda Nacional, comandada por Anastásio Somoza García. Somoza García implantou no país uma ditadura violenta e foi substituído no governo por seus filhos – Luís e, depois, Anastásio Somoza Debayle.
Na década de 1960, com o sucesso da Revolução Cubana, surgiu no país um grupo guerrilheiro – a Frente Sandista de Libertação Nacional.Com o tempo, esse grupo cresceu e a oposição ao governo de Anastásio Somoza Debayle aumentou muito. Em 1978, Somoza mandou assassinar o jornalista Joaquín Chamorro, que o criticava em seu jornal, La Prensa. O assassinato de Chamorro provocou protestos nas principais cidades nicaragüenses.Com a grande insatisfação nacional que havia no país, os sandinistas intensificaram sua atuação contra o governo, dando início a uma guerra civil. Em julho de 1979, os guerrilheiros entraram na capital, Manágua. Somoza exilou-se no Paraguai, onde acabaria assassinado em 1980.

O Brasil

Foi o período dos governos populistas. O populismo é uma prática política em que um setor da elite assume a chefia dos movimentos de reivindicações populares de tal modo que as concessões feitas ao povo não prejudiquem os interesses fundamentais da elite. Neste mesmo período houve também a ampliação do poder do Estado.O presidente que iniciou esse processo no Brasil foi Getúlio Vargas, ainda no Estado Novo (1930-1945). Ele era considerado o Pai da Pátria e dos Pobres devido a criação de dois partidos: Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro ( PTB ). E ainda contou com o apoio do Partido Comunista do Brasil. Mas após algum tempo, a UDN ( União Democrática Nacional ) entrou numa luta clandestina contra a ditadura de Getúlio e, depois de muitas manifestações de ruas, Getúlio foi deposto. E em 1945, ocorreram as eleições, com a vitória de Eurico Dutra.
Dutra foi o segundo presidente populista, mas seu governo teve muitos fracassos econômicos e sociais: o fechamento do PCB, a elevação do custo de vida, o aumento da inflação, que crescia a cada dia, e o gasto com produtos estrangeiros supérfluos.Logo após o final do mandato de Dutra, Vargas entra novamente no cenário político lançando sua candidatura a presidência do Brasil. É eleito com o apoio total do proletariado urbano, das classes médias ligadas a burocracia estatal e das empresas privadas. Teve um governo difícil, com pressões intensas de grupos influentes de industriais, banqueiros, militares e políticos udenistas que exigiam a renúncia do presidente. Vendo que o golpe de Estado seria iminente Getúlio suicida-se no dia 24 de agosto de 1954.Inicia-se, então, a campanha presidencial com a total ascensão de Juscelino Kubitschek, que começou um governo totalmente desenvolvimentista. Desenvolveu a indústria de bens de consumo duráveis com o apoio do capital estrangeiro. Fez o Plano de Metas, que tinha como objetivo desenvolver o país 50 anos em 5. E, ainda, criou a nova capital Brasília no Planalto Central. Juscelino enfrentou rebeliões de militares que foram abafadas e o fim de seu governo foi marcado com um complexo jogo político-partidário.Jânio Quadros inicia uma campanha política mostrando que queria acabar com a corrupção no Brasil. No seu governo, o populismo adquiriu feições bem pessoais, com estilo autoritário e moralista. Eleito, ele mostrou ser preocupado somente com questões secundárias, mostrou ter ligações com os comunistas, e acabou renunciando no dia 25 de agosto de 1961. A partir daí, inicia-se uma complicada fase da nossa história.Os ministros militares eram contra a posse do vice-presidente João Goulart e ao mesmo tempo, uma mobilização democrática tentava impedir a intervenção militar. Depois de alguns conflitos, golpistas militares e civis tomaram a decisão de instaurar o regime parlamentarista. Entre os dias 5 e 7 de setembro de 1961, João Goulart, que estava na China, retorna a Brasília e inicia um governo extremamente tenso e instável.Jango inicia o governo tentando organizar o país das distorções produzidas pelo governo de JK e das práticas fracassadas de Jânio Quadros. Com muitos problemas nas áreas de saúde, habitação, educação, transporte e saneamento, ele põe em prática as Reformas de Base: agrária, tributária, eleitoral e universitária. Mas não conseguiu realizá-las. Em 1963, as taxas inflacionárias cresceram assustadoramente e, então, foi organizado um amplo planejamento, denominado “Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico-Social: 1963-1965”.Após sucessivas crises políticas e sociais, o Congresso já se encontrava totalmente desprestigiado, a esquerda já se organizava para controlar o país. No dia 13 de março de 1964, Jango organiza o “Comício das Reformas” que causou um grande impacto político. Logo após o comício muitos direitistas anticomunistas saíram à rua pedindo o impeachment do governo federal.Neste mesmo momento, as forças armadas já estavam preparadas para o golpe. E foi o que aconteceu, na última semana de março, militares marcharam pelas ruas do país e João Goulart teve que se exilar no Uruguai. Inicia-se então a ditadura militar no Brasil.

Descolonização afro-asiática

Durante a Guerra Fria, ocorreu uma onda de descolonizações na África e na Ásia, reflexo da decadência da Européia. Dentre as causa que favoreceram esse processo, destacam-se:

  • Surgimento de lideranças para comandar os movimentos nacionalistas libertários – Formação de líderes que encabeçavam movimentos nacionalistas. Esses movimentos tinham apoio da Carta da ONU.
  • Crises européias – No fim da II Guerra, a crise econômica enfraqueceu os países europeus, permitindo que os movimentos de libertação encontrassem um crescente espaço para manobras políticas.
  • Expansão do socialismo – O caráter libertário das idéias socialista foi bem absorvido por muitos líderes afro-asiáticos.
  • Polarização da Guerra Fria – As duas superpotências apoiavam a maior parte dos movimentos de libertação, procurando assim, aumentar sua área de influência

O alinhamento quase obrigatório dos países subdesenvolvidos às superpotências passou a ser contestado, e de forma mais intensa após a Conferência de Bandung (abril de 1955), que condenou o colonialismo e a corrida armamentista. O resultado foi o desenvolvimento de ideologias e ações políticas que ficaram conhecidas como terceiro-mundismo e não-alinhamento.
Essa divisão do mundo em três partes só teve sentido durante a Guerra Fria: já que existia Primeiro Mundo (capitalista) e Segundo Mundo (socialista). A crise do socialismo tornou o uso desses termos obsoletos.

A independência da Índia

A Índia foi dominada pelos ingleses desde o século XVIII. Mas só por volta de 1885, portanto já quase no final do século XIX, é que teve início um movimento nacionalista pela sua libertação.Esse movimento pela libertação da Índia foi impulsionado por um pequeno grupo de intelectuais, cuja educação havia sido patrocinada pelos ingleses. Inclusive o grande líder do movimento – Mahatma Gandhi– que tinha estudado Direito em Londres.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o movimento nacionalista intensificou-se, ganhando o apoio das massas, que nem sempre respeitavam os princípios pacifistas de Gandhi. Foram anos e anos de luta pela independência. Nesse período, Gandhi, defensor dos princípios da não-violência, propunha a resistência pacífica aos dominadores. Por exemplo: exortava os indianos a não comprarem produtos vindos da Inglaterra, a não obedecerem às leis inglesas, etc.Em 1947, o governo inglês percebeu que era impossível continuar dominando os indianos e concedeu-lhes a independência.Mas a desunião entre as populações de religião hindu e de religião muçulmana que viviam na Índia tornou impossível a convivência num mesmo país. Por isso, ao negociar sua independência com a Inglaterra, em 1947, a Índia teve seu território dividido. Na Índia ficou a população predominante hindu; no Paquistão a população predominante muçulmana.Essa divisão provocou deslocamentos maciços de população: os hindus que se encontravam na Paquistão deslocaram-se para o território indiano; e os muçulmanos da Índia dirigiram-se para o território paquistanês.Gandhi tentou fazer com que hindus e muçulmanos convivessem em paz. No entanto, o desentendimento e o ódio entre os partidários das duas religiões eram tão grandes que o próprio Gandhi – líder da Independência da Índia – acabou assassinado em 1948 por um fanático hindu, religião a que o próprio Gandhi pertencia.Na realidade, o Paquistão era construído por dois territórios separados: um a nordeste e outro a noroeste da Índia. Em 1971, a população dos dois territórios entraram em guerra. Com o apoio da Índia, o Paquistão Oriental separou-se do Ocidental, passando a chamar-se Bangladesh.Até hoje os conflitos entre etnias e religiões diferentes são responsáveis por muita violência nesses três países. Em 1984, a primeira-ministra da Índia, Indira Gandhi, também foi assassinada por dois soldados sikhs, pertencentes a um povo minoritário que vive em território indiano. Em 1991, o sucessor de Indira, seu filho Rajiv Gandhi, também foi assassinado.Atualmente, a Índia tem quase 1 bilhão de habitantes, metade dos quais vive na mais absoluta miséria.

A Independência da Indochina

Indochina é a antiga denominação da região ocupada hoje pelo Vietnã, pelo Laos e pelo Camboja.Durante a Segunda Guerra Mundial os japoneses tomaram a Indochina, que na época era colônia da França, criando aí, em 1945, o Estado do Vietnã.Mas Ho Chi Minh – um líder comunista – já vinha lutando contra a dominação francesa desde 1931, quando criou o Partido Comunista da Indochina. Quando o Estado do Vietnã foi criado pelos japoneses, Ho Chi Minh tomou o poder do Norte do país, instalando aí a República Democrática do Vietnã (setembro de 1945).Terminada a guerra, em 1946 os franceses organizaram uma ação militar para recuperar o controle da região, mas encontraram forte resistência armada das forças lideradas por Ho Chi Minh. A partir de 1949, o Vietnã do norte passou a receber o apoio da China, onde se havia instalado um governo comunista, liderado por Mao Tsé-tung. A França, por sua vez, começou a ser armada pelos Estados Unidos, que temiam a expansão do comunismo no Sudeste Asiático. Para impedir o avanço das tropas de ho Chi Minh, a França criou no sul da península da Indochina o Estado do Vietnã do Sul, com capital em Saigon. Em 1954, a França tentou recuperar toda sua antiga possessão. Para isso, por meio de uma ofensiva militar, invadiu o norte. A invasão, no entanto, foi um terrível fracasso. Derrotada, a França teve de aceitar a Independência do Vietnã do norte, com capital em Hanói.Com a França fora da guerra os Estados Unidos assumiram a defesa do Vietnã do Sul. Aos poucos o governo norte-americano passou a enviar tropas para defender o Vietnã do sul do Vietnã do Norte. Mas os soldados americanos tiveram também de enfrentar, dentro do próprio Vietnã do Sul, os guerrilheiros do Vietcong, uma gente de libertação nacional de tendência comunista surgida no próprio Vietnã do Sul.Aos poucos o governo norte-americano foi se envolvendo na guerra, que se tornou cada vez mais sangrenta. Registrada pelos jornais e sobretudo pela televisão, o mundo todo passou a assistir diretamente os horrores dos combates.
A população americana começou a se opor à guerra. Os jovens se negavam a participar de uma luta que para eles não tinha sentido. Mas não eram apenas os jovens que se opunham à guerra. Os adultos também já não suportavam mais verem seus filhos e netos voltarem mortos ou deformados do Vietnã.Finalmente, em 1973, o governo norte-americano anunciou sua retirada do conflito. Mas a luta ainda continuou até 1975 entre o exército do Vietnã do norte e o Vietcong de um lado e o exército sul-vietnamita de outro. Com a derrota do governo do Vietnã do Sul, os dois Vietnãs passaram a construir um só país – a República Socialista do Vietnã – com capital em Hanói.O saldo da guerra foi doloroso para os Estados unidos: mais de 50 mil jovens morreram nas selvas, milhares de outros voltaram mutilados ou com problemas emocionais que tiveram de carregar pelo resto da vida.

África inglesa

Os antigos domínios da áfrica inglesa estruturam-se de 1940 a 1968 as nações de Gana,Serra Leoa, Gâmbia, Zâmbia, Matawi e Tanzânia. A constituição desses novos países se deu por meio de acordos pacíficos entre as elites locais e os ex-colonizadores ingleses.Já nos territórios da Nigéria, Quênia e Uganda, a disputa entre ingleses e norte-americanos pelos mercados locais provocou violentas guerras civis, que envolveram negros e brancos. Essas disputas trouxeram consigo a miséria às populações, que se viram abandonadas à sua própria sorte.

África francesa

Na década de 1950, o governo do general De Gaulle adotou uma política de concessão de privilégios políticos e de cidadania às elites das colônias francesas. Esse tratamento visava manter as elites coloniais submissas aos interesses econômicos da França.A tentativa de De Gaulle de manter as colônias submissas à França não deu certo. Em 1946, a Constituição francesa concedia a elas o direito de criarem assembléias que representasse seus interesses. Essas assembléias eram eleitas e formadas por colonos franceses e por membros da população local.No entanto, essas concessões nada significavam para a Argélia. A descoberta do petróleo em território argelino desencadeou uma guerra contra o imperialismo francês, financiada pela União Soviética. O conflito, que teve início em 1954, só terminou em 1962 quando De Gaulle garantiu a independência política do país, em troca do direito à exploração das suas reservas petrolíferas. Acordos envolvendo os Estados Unidos e a União Soviética terminaram finalmente por conceder às companhias norte-americanas o direito de explorar 50% das jazidas argelinas.

África portuguesa

O antigo Império Colonial Português foi o último a deixar a África. Com a Revolução dos Cravos em abril de 1974, que pôs fim à ditadura salazarista, Portugal concedeu a independência a Guiné-Bissau e Moçambique. Em 1975, abandonou a Angola, em meio a lutas políticas internas. O regime socialista, apoiado por Cuba, acabou sendo adotado por esses novos países.

A África hoje

A África hoje é um continente miserável, com problemas humanos muito sérios, difíceis de serem resolvidos. Além da fome, das doenças endêmicas, do atraso econômico, a África se debate ainda em guerras tribais terríveis. Em 1994, por exemplo, em Ruanda, milhares de pessoas morreram numa luta entre tribos rivais.
Mas de todos esses acontecimentos, um merece destaque na história recente desse continente: o regime de apartheid na África do Sul.Em 1910, a Inglaterra aprovou a criação da União Sul-Africana, atual África do Sul. Mas a população branca, de origem inglesa ou holandesa, impôs ao país uma lei oficializando a segregação racial. Daí o nome de apartheid, que significa separação, ao regime social que se instalou nesse país africano.Embora os negros fossem maioria absoluta – 23 milhões contra 4 500 000 brancos -, pelas leis sul-africanas eles não tinham nenhum direito: não podiam escolher seus governantes nem se candidatar a qualquer cargo. Não tinham liberdade para circular pelo seu próprio país. Para ir de um lugar ao outro tinham de ter um passaporte. Não podiam morar nas cidades dos brancos, mas tinham permissão para trabalhar nelas. A luta dos negros contra a segregação foi longa e penosa. Nessa luta, ocorreram muitos conflitos entre negros e brancos, com vítimas de ambos os lados.Mas aos poucos os negros foram conquistando seus direitos civis. Entre as conquistas obtidas, algumas devem ser registradas:

  • Em 1984, o bispo negro Desmond Tutu ganhou o prêmio Nobel da Paz por sua defesa dos direitos dos negros.
  • Em 1986, foram abolidos os tribunais específicos para os negros; alguns cinemas, teatros, e restaurantes passaram a receber pessoas de todas as raças.
  • Em 1987, as praias foram abertas a todas as raças.
  • Em 1988, os negros puderam viajar nos mesmos trens de subúrbio que os brancos.
  • Em 1989, foram instituídas áreas em que brancos e negros pudessem morar.
  • Em 1990, diversas organizações que lutavam contra o apartheid puderam ser legalizadas. Nesse ano foi colocado em liberdade o líder negro Nelson Mandela, que havia sido preso em 1962 por defender os direitos civis dos negros. Ainda nesse ano, foi abolida a lei que proibia os negros de freqüentarem os mesmos lugares dos brancos.
  • Em 1992, foi feito um plebiscito entre a população branca sobre a permanência ou não do apartheid. A maioria aprovou o fim definitivo do regime.
  • Em 1993, o presidente sul-africano, Frederik de Klerk, e o presidente do Conselho Nacional Africano, Nelson Mandela, assinaram a nova constituição, que acabava com o regime de apartheid. A nova Constituição da África do Sul previa para abril do ano seguinte a primeira eleição com participação da população negra.

Finalmente, em 27 de abril de 1994, as eleições foram realizadas e Nelson Mandela foi eleito presidente da República.

Os Tigres Asiáticos

Quatro pequenos países asiáticos se destacaram pela sua rápida industrialização nos anos70: Coréia do Sul, Formosa (Taiwan), Hong Kong e Cingapura. Aproveitando-se da mão-de-obra barata, a elite desses países se associou aos japoneses e desencadeou um processo de cópia de produtos eletrônicos. Muitos desses produtos, como computadores e aparelhos de som, são piratarias feitas por indústrias domésticas de fundo de quintal e vendidas por contrabandistas e marreteiros no mundo todo.Devido a seu rápido desenvolvimento, esses países foram chamados de tigres asiáticos.

Oriente Médio

Em 1947, pouco depois do final da Segunda Guerra Mundial, a ONU dividiu o território da Palestina, então sob administração inglesa, em duas áreas: uma judaica e outra palestina. Os dois povos reivindicavam o território, baseados em disputas milenares que remontavam aos tempos bíblicos. A colonização inglesa atenuou os conflitos, na medida em que submetia os dois lados. Entretanto, em 1948, os ingleses se retiraram da região, e a ONU criou o Estado de Israel. Os países árabes vizinhos (Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Síria) saíram em defesa dos palestinos, que se consideraram prejudicados. Iniciou-se a Primeira Guerra Áraba-Israelense (1948-1949), que resultou na vitória de Israel, na ampliação do território controlado pelos judeus no Oriente Médio e em uma tensão permanente na região.O conflito árabe-israelense passou para a órbita da Guerra Fria, com o apoio dos Estados Unidos a Israel, o que forçou os países árabes a uma aproximação com a União Soviética.Em 1956, o Egito,governado por Gamal Abdel Nasser, decidiu-se pela nacionalização do canal de Suez, levando França e Inglaterra a uma intervenção armada no país. Com o apoio de Israel,cujas tropas tomaram toda a península do Sinai: foi a Segunda Guerra Árabe-Israelense. A intervenção da ONU e o desejo das superpotências de não generalizarem a guerra na região, levou à restauração da situação anterior à guerra.Em 1967, a tensão na região voltou a crescer. A OLP, Organização para Libertação da Palestina, instituiu guerrilhas contra Israel, enquanto a ONU, que havia retirado suas tropas de paz da Península do Sinai, deixava tropas do Israel e do Egito frente a frente. O bloqueio dos portos israelenses pelo Egito acabou desencadeando Guerra dos Seis Dias, ou Terceira Guerra Árabe-Israelense. Em pouco tempo, tropas de Israel tomaram o Sinai, a faixa de Gaza e as colinas de Gola, na fronteira com a Síria.O prolongado domínio israelense sobre os territórios conquistados em 1967 gerou uma insatisfação muito grande nos países árabes e resultou numa nova guerra, que explodiu em 1973, a Guerra do Yom Kippur, ou Quarta Guerra Áraba-Israelense. Dessa vez, os árabes tomaram a iniciativa reconquistando alguns territórios, mas foram logo detidos. Mais uma vez, as pressões das superpotências acabaram encerrando o conflito, mantendo-se Israel nos territórios ocupados em 1967.Em 1969, o egípcio Anuar el Sadat e o israelense Menahen Begin assinaram os Acordos de Camp David, nos Estados Unidos, sob influência do presidente norte americano Jimmy Carter, encerrando as disputas entre Egito e Israel. A Questão Palestina, todavia, continouou existindo, com a OLP lutando pela criação de um estado independnete na Cisjordânia e faixa de Gaza.

Os conflitos do Oriente Médio
Durante toda a década de 1980, continuaram os conflitos no Oriente Médio, incluindo a intifada, conflitos de rua ente a população palestina e tropas israelenses, em território palestino ocupado por Israel.Apenas na década de 1990 uma pretensa paz definitiva foi encaminhada na regição. Em 1993, Ytzhak Rabin, de Israel, e Yasser Arafat, da OLP, assinaram acordos em que a OLP reconheceu o Estado de Israel e renunciou a violência, enquanto Israel aceitou conceder autonomia aos palestinos (ainda que limitada) dentro de certas áreas em Gaza e Cisjordânia.Entretando, grupos radicais de ambos os lados inviabilizaram avanços nos entendimento e a violência política continuou. Em 1995, Rabin foi assassinado por um israelense, enquanto grupos árabes como o Hamas e Hezbollah multiplicavam seus atentados terroristas em Israel. Em 1999 e 2000 continuaram os encontros de cúpula e seguidos impasses nas conversações, como a questão de assentamentos de judeus em territórios ocupados, a questão do retorno dos refugiados palestinos que estavam em áreas vizinhas, a questão do domínio de Jerusalém e dos recuros hídricos e dass fronteiras da região. Nos últimos anos, agravando o quadro e inviabilizando a completa pacificação, ganharam força uma nova Intifada, represálias e uma nova rodada de atentados que deixaram um enorme saldo de mortos e feridos.Uma outra questão, aliás sempre crescente, é questão da criação definitiva do Estado palestino e seu reconhecimento por parte de Israel. Quando a evolução dos entendimentos apontava para um possível acordo final, novos fatos envolvendo o controle da cidade de Jerusalém, ponto crucial para os dois governos e atuações violentas de ambos os lados reacenderam o conflito.A cidade, considerada indivisível para os israelenses e reivindicada pelos palestinos como futura capital de seu Estado, abriga, na sua porção oriental, a Cidade Velha, onde se encontram santuários religiosos do cristianismo (Igreja do Santo Sepulcro), do judaísmo (Muro das Lamentações) e do islamismo (Mesquita de Omar). Nessa área encontravam-se cerca de 200 mil palestinos e algo próximo a 180 mil israelenses, estes ali instalados pela colonização promovida por Israel. Em dezembro de 1999, numa clara provocação aos palestinos, o novo líder do Likud (o maior partido de direita de Israel), Ariel Sharon, fez um passeio pela esplanada das mesquitas, na Cidade Velha, alegando que aquele era “território israelense”. Os palestinos, diante do adiamento da declaração de independência e entendendo a atitude de Sharon como uma negação dos acordos, detonaram a mais séria revolta desde a Intifada.Em meio aos distúrbios e ao retrocesso das negociações, os ultraconservadores do Likud assumiram o governo, elegendo para primeiro-ministro Ariel Sharon. Do lado palestino, ganharam força os movimentos fundamentalistas, como a Jihad Islâmica e o Movimento de Resistência Islâmico (Hamas), contrários a qualquer acordo com Israel. As conseqüências desastrosas, principalmente para a população civil. Foram a intensificação dos atentados com carros-bombas e homens-bombas, entendidos como única forma de enfrentar o poder militar israelense e as retaliações militares centradas em bombardeios aos territórios de ocupação palestina.O endurecimento das atuações militares de Israel, respaldado pelo governo norte americano, bem como os freqüentes atentados de guerrilheiros palestinos transformaram a região numa das mais violentas do mundo, no início deste século XXI. Apesar das pressões internacionais, das iniciativas e entendimento e anos anteriores entre os lados rivais, as promessas de pacificação e de reconhecimento do Estado Palestino acabaram sendo engolidas por seguidos confrontos, até o início de 2003.

O Afeganistão

Em 1979, a União Soviética invadiu o vizinho Afeganistão, buscando ampliar sua área de atuação no Oriente Médio. Região alvo de constantes invasores desde a Antigüidade, no século XIX, foi a vez dos britânicos, líderes nas disputas imperialistas do período. A sujeição do Afeganistão aos ingleses durou até a independência, em 1919, integrando-se ao processo de descolonização que cada vez mais ganharia impulso. A monarquia afegã, por sua vez, duraria até 1973, quando se seguiram conflitos e vários golpes militares, bem como atuações internacionais. Em 1978, sob a liderança de Mohamed Taraki, foi estabelecido um regime de partido único inspirado na URSS, sendo permanentemente desafiado por grupos islâmicos guerrilheiros apoiados pelo Paquistão, Irã e armados pelos Estados Unidos. Quando da queda de Taraki, em 1979, os soviéticos decidiram intervir, iniciando um envolvimento militar que custou a vida de mais de 15 mil russos e 1 milhão de afegãos. Diante do fracasso e da retirada final dos soviéticos em 1989, o governo fragilizou-se ainda mais e não conseguiu evitar a tomada de Cabul, a capital, por guerrilheiros. Nessa época emergiu uma das facções guerrilheiras que cresceu em importância e poder, o Talebã (ou Talibã, que quer dizer “estudante” em persa), que assumiu o controle de quase todo o país durante os anos de 1990. no início do século XXI, o Talebã recebeu destaque internacional por suas rígidas medidas muçulmanas: sujeição da mulher, destruição de imagens milenares de ídolos de outras crenças, proibições quanto às indumentárias e comportamentos com imposições de penas severas.Em 1998, os Estados Unidos dispararam mísseis contra alvos no Afeganistão, sob acusação de serem cantros de apoio às ações terroristas internacionais, especialmente da Al Qaeda, organização liderada por Osama bin Laden. Trata-se de um fundamentalista islâmico, um milionário de origem saudita, que migrou para o Afeganistão, onde obteve ajuda militar e financeira dos EUA no combate aos soviéticos, na Guerra do Afeganistão, durante a década de 1980. Bin Laden fundou a Al Qaeda (em português, “A Base”) em 1990 e, no final da década de 1990, controlava uma ampla rede de atuações em diversos países contra o que chamava de “influência ocidental” e interferência dos Estados Unidos no mundo islâmico. Em 1999, a ONU determinou sanções contra o governo Talibã, como restrições a vôos internacionais e exigências de extradição de Bin Laden para julgamento num tribunal internacional.Em 11 de setembro de 2001, no atentado realizado em Nova Iorque e Washington, em que as torres do World Trade Center e o Pentágono foram atingidas por aviões sequietrados por terroristas, Osama Bin Laden foi acusado pelas autoridades norte-americanas como articulador da ação que ocasionou milhares de mortos nos EUA o presidente George Bush declarou guerra aos terroristas e aos Estados que os abrigassem, exigindo do Afeganistão a prisão e a entrega de Bin Laden. O desdobramento da crise foi o bombardeio por parte dos Eua sobre o Afeganistão e a derrubada do governo Talibã. No início de 2003, ainda era desconhecido o paradeiro de Bin Laden e continuavam ocorrendo confrontos militares no Afeganistão entre guerrilheiros e tropas norte-americanas.

Conclusão

Resumindo, os principais motivos que levaram à crise da União Soviética e, conseqüentemente, ao fim da Guerra Fria foram:

  • Tecnologia – o processo industrial deixou de depender de etapas programáveis de produção, passando a se basear em novas formas de tecnologia, tais como microeletrônica, robótica industrial, computadorizarão, química fina e biotecnologia. Tornou-se necessária uma quantidade crescente de investimento em pesquisas e desenvolvimento, situação que a URSS não conseguia mais acompanhar, pois a maior parte de seu orçamento era gasta com a corrida armamentista e o financiamento das estruturas sociais que garantiam condições mínimas de vida à coletividade.
  • Imprevisibilidade – A alta imprevisibilidade e a rapidez de transformação dos novos processo inviabilizaram a planificação estatal soviética, excessivamente rígida e assentada em modelos administrativos ultrapassados. Assim, a economia planificada socialista começou a perder terreno para a economia capitalista, na qual novas formas de gerenciamento e administração valorizavam a dinâmica e a descentralização das decisões.

Com o fim da Guerra Fria e o desaparecimento da União Soviética o mundo passou a rumar para uma Nova Ordem, marcada pela hegemonia do sistema capitalista vitorioso.

Bibliografia

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Um comentário:

Anônimo disse...

Cheguei aqui através de uma pesquisa no Google. Na minha pesquisa, apareceu uma frase no seu blog onde dizia: “o Japão invadiu a Manchúria”. Eu não li todo o seu artigo, mas gostaria de deixar registrado aqui que essa frase está errada. O Japão não invadiu a Manchúria. Não vou me delongar aqui para explicar o porquê disso. Se quiser, pesquise para saber com mais detalhes o que exatamente aconteceu por lá antes do início da Segunda Guerra Mundial.